Richa acusa servidor de querer “privilégios”; veja a vida privilegiada do governador

Beto Richa

De Rogerio Galindo, na Gazeta do Povo:

Beto Richa tem um novo discurso. Em todos os eventos de que participa, o governador tem explicado a situação do estado com o mesmo roteiro, decorado a ponto de as sentenças saírem iguais em todas as ocasiões:

O Paraná hoje tem uma posição privilegiada porque foi o primeiro a perceber a crise e fazer os ajustes necessários. Por isso tem bilhões para investir enquanto outros estados estão quebrados.
Sua gestão fez o ajuste fiscal necessário de maneira corajosa, mesmo estando “sob ataque” (expressão particularmente curiosa no discurso de quem comandou o 29 de abril) de sindicatos e da oposição.
Apesar dos bons resultados, é preciso continuar sempre em estado de alerta, porque há servidores com “demandas infinitas e insaciáveis” que podem levar o Paraná à falência, jogando fora todo o esforço já feito.
A primeira parte do discurso esquece de maneira conveniente que a primeira gestão do próprio Beto tem grande parcela de culpa na crise que ele mesmo diz ter corrigido. Entre 2011 e 2014, Richa concedeu reajustes e aumentos loucamente, como ele mesmo admite, tirou aposentados do Fundo de Previdência, fez o que podia e o que não podia.
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Em nome da reeleição em 2014, apelou para o mesmo truque de Dilma: fingiu que as finanças estavam uma maravilha e se recusou a tirar o pé do acelerador. Passado outubro, garantido mais um mandato de quatro anos, descobriu-se o tamanho do caos que a irresponsabilidade tinha gerado. E veio a conta.

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Massacre no Centro Cívico. Foto: Bruno Covello/Arquivo Gazeta do Povo

Nem é preciso dizer que é uma farsa a história de que o governo estava sob ataque. Sob ataque estavam os professores e manifestantes. Beto Richa, com auxílio de Fernando Francischini, gastou o arsenal da PM nas testas e gargantas dos funcionários que perdiam o dinheiro da sua previdência. Foram 213 feridos num massacre jamais visto antes no estado.

Regalias
Mas o que tem sido realmente chocante no discurso do governador é a ideia de que os servidores querem privilégios. Foi o que disse nesta quinta em encontro com o prefeito paulistano, João Doria, por exemplo. Os repórteres Fernando Martins e Euclides Lucas Garcia registraram o fato.
Segundo a reportagem, no encontro o governador também se posicionou contra a concessão de “direitos” para determinadas categorias de servidores. “Se não é pra todo mundo, é privilégio.”
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De fato, os servidores têm várias reivindicações. Com os salários que ganham, no entanto, dificilmente se poderia falar que estão tentando ter privilégios. Pelo menos se falarmos do grosso do funcionalismo, formado por professores da rede pública, enfermeiras, policiais etc.
Faz parte da luta política um grupo tentar conquistas salariais e melhores condições de trabalho. Chamar isso de busca por favorecimentos já seria estranho. Vindo de quem vem é praticamente um escândalo.

Os verdadeiros privilégios
Escândalo porque o governador, que escolheu o funcionalismo como alvo, parece cego aos privilégios de seus pares, de seus nomeados, de seus parentes. Não há registro de que Beto Richa tenha em algum momento, por exemplo, criticado os juízes que se autoconcederam um auxílio-moradia de R$ 4,3 mil mensais mesmo já tendo casa e recebendo salários altos.
Não se ouve um pio do governador em relação aos gastos dos deputados estaduais. Não só o próprio Beto se beneficiou da estrutura da Assembleia, que oferece 23 assessores para cada parlamentar (cada gabinete é uma empresa de porte médio), como dá todas as condições para que o político se perpetue no poder usando dinheiro público.
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Beto não fala nada sobre os titulares de cartório que não fizeram concurso. Sobre os conselheiros do Tribunal de Contas que também estenderam para si o auxílio-moradia – cargo para o qual Beto já nomeou três amigos do peito desde que assumiu o governo.
Não se ouve Beto falar sobre os luxos dos tribunais, os lanchinhos pagos com verbas públicas, os lanchinhos gourmet encomendados pelo seu secretário de Cerimonial, Ezequias Moreira, que ele tirou da fila de julgamentos criminais para colocar em um posto (esse sim privilegiado) de um secretário que tem salário e foro especial, mas cujo trabalho é absolutamente invisível e desnecessário.

Jatinhos e Paris
Mas principalmente é um escândalo pelos privilégios que Beto concede a si próprio e à sua família, ou que deixa que se conceda aos seus. O governador que reclama das demandas insaciáveis é o mesmo que arranjou cargos públicos de primeiro escalão para a mulher e o irmão. Que coloca o filho para ser secretário na prefeitura já pelo segundo mandato. Que contesta outras aposentadorias pagas pelo Estado, menos a da própria mãe.
Richa é o governador que fala em privilégios de assalariados enquanto viaja fazendo escalas técnicas em Paris, num hotel à beira do Arco do Triunfo, gastando diárias absurdas ao mesmo tempo em que arrocha salários. E que quando é contestado judicialmente afirma que viajar direto, sem essa pausa para compras nos Campos Elíseos, seria desumano.

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Hotel em que Beto Richa e a esposa Fernanda fizeram “parada técnica” em Paris. Nada de privilégios

Hotel em que Beto Richa e a esposa Fernanda fizeram “parada técnica” em Paris. Nada de privilégios.
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Beto viaja de jatinho pago pelos privilegiados paranaenses, se locomove de helicóptero emprestado por empresário, tem motorista pago – assim como grande parte de seus parentes, todos vivendo nas delícias do primeiro escalão. E do alto do Palácio que já foi ocupado pelo pai e que pretende um dia repassar ao filho, vê os servidores pedindo respeito a direitos adquiridos.
Lá de cima, parece que são privilégios. É que o distanciamento da vida real causa, de fato, essas ilusões de ótica.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Começou em jornal aos 14 anos, foi editor-chefe dos três jornais diários de Maringá. Pioneiro em blog político, repórter e apresentador de programa de televisão, apresentador de programa político nas rádios Jornal, Difusora e Banda 1, comentarista das rádios Metropolitana e Guairacá, editor de diversos jornais e revistas, como Umuarama Ilustrado, Correio da Cidade, Expresso Paraná, Maringá M9 e Página 9. Atualmente integra o cast da Jovem Pan Maringá.

20 pitacos em “Richa acusa servidor de querer “privilégios”; veja a vida privilegiada do governador

  1. nao voto nesse cara , mas ele tem razao gente.. o funcionario publico em especial prof da UEM é uma orgia so.. uma mamata…. entam e se sao ao lixo de di\er estou com estabilidade ningume metgira… e quero tid… vagabundosssssssss… salario de 30 m,il e nao entram em sala de aula.. como pode? sim trinta mil no nupelia. no departamento de enfermagem. e outros tantos….. que todos sabemos ta na hora de acabar com essa corja de mamador de teta de salario publico sem fazer nada…. e se for conversar com eles. TODOS dizem que trabalhamn.. coitadinhbosssssssssss

  2. Só não ta afundado igual os outros estados, porque o governo federal era do PT, porque empréstimos eram barrados pelos senadores, porque se não estaria pior do que os outros estados.Pedia empréstimo todo mês e não conseguia.

  3. Está certo o Beto, os servidores públicos estaduais e federais que são os que mais lhe criticam tem estabilidade no emprego, que trabalhador comum não tem, licença especial a cada 5 anos (6 meses sem trabalhar com salário garantido), que o pobre mortal do trabalhador comum não tem, médias salariais elevadas e aposentadoria integral que o trabalhador comum também não tem.

    Quer mamatas Mariners do que estas?????

    Agora os servidores querem falar de r valias que o governador usufrui???? Porque não falavam disso quando o governador era o bolivariano Requião????
    Os governadores sempre usufruíram delas mas somente quando um deles não se Sobral ao cartel do sindicalismo público estadual é que os servidores marajás ficam indignados.

    Servidor público = PT = elite de trabalhadores

    • PT!! Saí pra lá, larga a mão de falar asneiras por aqui. Generalizar já é uma idiotice por si só. Na certa você deve ser algum cargo comissionado cupincha.

    • Volta pra escola antes de falar tanta asneira, pq ou é desinformado ou é mentiroso, licença especial é 3 meses se não tiver faltas ou licença médica prolongada, etc, não têm FGTS, seguro desemprego, sai com uma mão na frente outra atrás, opção lá atrás do próprio governo que não iria recolher a parte que lhe caberia como patrão. Então quem está certo?

  4. Se fosse só professor da UEM seria fácil. O problema é que a grande maioria dos servidores públicos não merecem o salário que recebem. Na prefeitura, no estado, no judiciário, em todo lado.

  5. Jadir Nascimento diz:

    Povo idiota e comunista é fo$&@

    Querem porque querem falar mal do nosso governador. Coisa de petista e esquerdista frustrado. O Beto faz o melhor governo dentre os governadores do Brasil, queiram ou não os incompententes esquerdistas comunistas que apoiam o Lula e a Dilma que quebraram o País. Não sei de onde estes idiotas tiram que o estado estado está quebrado. Muito pelo contrário, o estado do Paraná só não quebrou porque o nosso governador peitou a máfia do sindicalismo dos servidores do estado e botou eles no seu devido lugar. Por isso essa tropa odeia o Beto (mas implico não é besta e já enxergou isso).

    O Beto está super certo mesmo. A corja que está alojada em excesso no serviço público do Paraná tem que ser reduzido para diminuir a inchada e caríssima máquina pública.

    Outra coisa, país desenvolvido não mantém serviço público em excesso e com o elevadíssimo custo que existe no Brasil. O aparelhamento do serviço público pelo PT na esfera federal somente serviu para custear cabos eleitorais e militantes esquerdistas pagos com dinheiro público. Não é atoa que os comunistas todos é que são os que defendem a podridão que a esquerdalha fez no poder e está no serviço público estadual e federal, com garantia de emprego/estabilidade (sem medo do desemprego), salários bem acima da média dos demais pobres trabalhadores mortais e com aposentadorias integrais (sem teto previdenciário) bancados em grande parte pelos cofres da União.

    Por isso essa corja não quer as reformas necessárias para desenvolver o país e equilibrar as contas públicas, justamente porque isso significa cassar os privilégios desse povo, que por sinal prestam um serviço público de baixíssima qualidade (para conferir basta ir até o INSS ou a uma repartição pública para vcs verem como este pessoal atende mal as pessoas e com cara de bunda, como se estivessem sendo incomodados).

  6. 365 dias tem um ano. não trabalham 96 dias entre sábados e domingos. 30 dias de férias. 10 dias feriados. 30 dias de greve- Total 166 dias. quase 6 meses sem trabalho. no máximo 750 horas de trabalho durante o ano letivo. estou certo ou errado. quanto aos comentários fico calado.porque criticar o governador? quem dá mais prejuizo para o Paraná? dos que ganham salário mínimo alguém defende? somos todos demagogos e individualistas.

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