Com Alcolumbre, reforma correrá mais riscos do que com Renan

De Reinaldo Azevedo:

Davi Alcolumbre (DEM-AP) acaba de ser eleito novo presidente do Senado: obteve 42 votos. As emendas constitucionais só são aprovadas na Casa com 49 votos.

Entre os eleitores de Alcolumbre, estão, por exemplo, cinco votos da Rede, que, oficialmente ao menos, faz oposição ao governo Bolsonaro. Também estão, segundo o que foi declarado ao menos, 8 votos do PSDB — que, por enquanto ao menos, não é base governista.
Há, claro, muitos votos de bolsonaristas que acabaram de chegar à Casa. Alguns deles, nota-se pelas declarações dadas durante a votação, mais preocupados em prestar contas a suas greis nas redes sociais do que atentos a uma pauta.
A parte do governo Bolsonaro que pensa e pondera está preocupada.
Eunício Oliveira se elegeu presidente, em 2017, com 61 votos. E mesmo assim, não foi bolinho.
Renan Calheiros obteve 49 votos em 2015.
O próprio Renan se elegeu presidente, em 2013, com 56 votos.
Alcolumbre chega com 42.
Nas suas palavras iniciais, Alcolumbre agradece a Tasso Jereissati (PSDB-CE), a Major Olímpio (PSL-SP), a Álvaro Dias (Pode-PR) e vai por aí afora.
O anti-renanismo militante está em festa. Ainda voltarei ao ponto. Os agradecimentos iniciais evidenciam que a vitória — por apenas um voto além do mínimo necessário — é pouco compacta.
Paulo Guedes, um homem do mercado, especialista em risco, deve estar com a mão na cabeça.
Acreditem: a reforma corre muito mais riscos no Senado com a vitória de Alcolumbre do que estaria com a vitória de Renan Calheiros.
Em seu discurso, o novo presidente do Senado pregou q ue a Casa não se vergue às “pressões amesquinhadas” do Judiciário.
Começou bem.
(Foto: Jonas Pereira/Agência Senado)

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.

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