Morri, e agora? Breves reflexões sobre a morte

Surpreendidos com a notícia da morte de jornalista Ricardo Boechat, que ainda na manhã desta segunda feira fez o seu comentário baseado nas mais de 300 mortes na tragédia de Brumadinho, e as 10 dos meninos do Flamengo, destacando, como já vinha fazendo nos últimos dias.

Dizia que todas tinham culpados e não era o Vaticano ou (disse um nome inintelegível), lamentamos que em plena idade produtiva tenha ele voltado de maneira tão inesperada, pelo menos para nós, ao Plano Espiritual. Boechat estava diferente e não sei se por determinação da direção da Band ou por que as tragédias preencheram o espaço, mas ele não falou da eleição do Senado, não comentou mais sobre o caso Queiroz e Flávio Bolsonaro, enfim seus comentários não eram mais contundentes, nos últimos dias. Morreu, como todos morreremos e felizmente não sabemos o dia. Façamos breves reflexões sobre a morte. Boechat não escondia que era ateu.Ateu é quem não crê em Deus ou em qualquer “ser superior”. A palavra tem origem no grego “atheos” que significa “sem Deus, que nega e abandona os deuses”. É formado pela partícula de negação “a” juntamente com o radical “theos” (deus).O termo nasceu na Grécia Antiga para descrever aquelas pessoas que rejeitavam as divindades adoradas por grande parte da sociedade. Eram considerados ímpios por não acreditarem nos muitos deuses venerados.Nas religiões teológicas (que envolvem a crença em um ser divino), um ateu é aquele que nega a existência de um ser supremo, onipotente (que pode tudo), onisciente (que sabe tudo) e onipresente (que está ao mesmo tempo em todos os lugares).O ateísmo é a “doutrina” dos ateus. É uma postura filosófica que rejeita a ideia de exis tência de quaisquer deuses. É uma atitude de descrença perante a afirmação religiosa de que existem divindades e de que elas exercem influência no universo e na conduta humana.
Vejamos agora, à luz da doutrina espírita o que pensamos sobre a morte: ‘A principal surpresa do indivíduo ao se defrontar com a experiência da morte é a de que continua vivo. A morte não existe. Acreditar na imortalidade espiritual implica em modificar por completo os padrões de vida quando comparados com o perfil do materialista, que não crê em nada além da morte. Aquele que imagina o fim absoluto ao término da existência física não tem razão alguma para ser uma boa pessoa, ajudar o outro, ser honesto, solidário, caridoso. Tudo deixará de existir mesmo; então, para que considerar a ética e os valores defendidos pelos moralistas?
No entanto, quando admitimos a continuidade existencial após o sepulcro, somos naturalmente impelidos a adotar mínimas providências para considerar como ficará nossa situação do outro lado da vida. As concepções religiosas acerca do assunto são variadas e, às vezes, conflitantes. Porém, essa é a razão da existência de diversas religiões, pois cada uma explica à sua maneira como ficará a alma após a morte do corpo físico. Céu, inferno, purgatório, sono eterno, espera de julgamento são opções tradicionais que as doutrinas dogmáticas ofertam a seus profitentes. O Espiritismo tem mais a oferecer.
A vida futura contém a explicação para o entendimento da mensagem de Jesus. Sem a perspectiva do porvir, ficamos limitados a estreitos horizontes que nos impedem de ampliar a visão para entendimento mais aprofundado do verdadeiro significado da vida, em sua expressão de imortalidade. Um amigo comentava ainda outro dia: “o maior patrimônio que Deus ofereceu ao homem foi conferir-lhe o dom de ser imortal”. Essa condição é inerente à nossa natureza. Portanto, não há como excluí-la, por mais que alguém tenha esse propósito. Nem nós mesmos conseguimos eliminar a essência divina que guardamos na intimidade do ser, pois reconhecer a paternidade de Deus implica assumir a postura de filhos. Entretanto, por mais que tenhamos a ideia de nossa imortalidade, a experiência da morte física é algo que ainda nos causa estranheza, surpresa e, por que não dizer, em algumas situações, mal-estar?!
Nascemos, morremos, renascemos inúmeras vezes, e continuamos nos acertos e desacertos das provas e expiações, repetindo lições não aprendidas, indo e vindo e tornando a voltar… E a morte, ainda nos causando enorme impacto! Quando observamos e acompanhamos entes queridos, familiares ou amigos próximos, despedindo-se da vida impermanente e acessando o portal da realidade imorredoura, é quase inevitável refletirmos sobre a transitoriedade da existência passageira e a importância da vida perene.
É indispensável que tais reflexões se manifestem enquanto estivermos a caminho, do lado de cá. E o Espiritismo concede-nos essa extraordinária oportunidade, por nos oferecer os elementos indispensáveis para que pensemos mais amplamente, entendendo a essência da vida no antes e depois da breve passagem pela vida material.
Do outro lado da vida não há milagres. E a morte não nos transformará num “passe de mágica”. A situação a ser encontrada por lá é exatamente a que estamos construindo aqui neste momento. Por isso, não percamos tempo em dúvidas e questionamentos desnecessários; esforcemo-nos por praticar a lei de justiça, amor e caridade em sua essência e plenitude. Isso sim é que fará a diferença fundamental entre a felicidade ou infelicidade no grande amanhã que aguarda a todos nós.’ fonte aqui.
Akino Maringá, colaborador

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.

Deixe seu pitaco