Ainda bem que tragédia ficou só no placar

mga2Perdemos para o Londrina dentro e for a do campo. O torcedor que foi ao estádio neste domingo – e milhares deles entraram pela primeira vez ali nesta temporada – ficou indignado com a forma desumana com que foi tratado. Surpreende como os órgãos supostamente de segurança permitem tamanha desorganização, com riscos evidentes de uma tragédia. O acesso à área coberta do estádio retrata com precisão como a cidade está despreparada para organizar grandes eventos. Não se organizaram filas e o que se viu foi uma massa de gente se espremendo na base da escada, subindo com extrema dificuldade e depois se empurrando num estreito corredor. Na porta do estádio, dezenas de agentes da Guarda Municipal andavam de um lado para o outro, sem objetivo específico. Fiscais da prefeitura em dupla ou trio perseguiam ambulantes. Ninguém se preocupou em organizar o acesso, de forma a minimizar os riscos de acidentes – e até de uma tragédia!

O torcedor? Bem, este era coadjuvante, mero detalhe num espetáculo feito para render dinheiro e expor incompetências. A consequência de toda essa irresponsabilidade ganhou contornos ainda mais preocupantes dentro do estádio, local que freqüento há décadas e posso sustentar, ainda que de forma empírica, que havia mais de 25 mil torcedores – ouso até em falar em 30 mil pessoas. Ministério Público, Polícia Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, diretoria do Maringá Futebol Clube, prefeito… A quem se pode reclamar agora, depois do evento terminado e, para felicidade de todos, de forma trágica apenas no placar? Venderam muito mais ingresso que o estádio suportava, algo comum já por aqui (na final da Taça Paraná, exatamente contra o Londrina ocorreu mesma coisa). A cumplicidade entre órgãos de segurança que compactuaram com a irresponsabilidade seria digna de uma investigação. Mas por quem? Para finalizar, chamo a atenção do Corpo de Bombeiros, ludibriados pela diretoria do Maringá, que ignorou recomendação sobre a capacidade máxima do estádio, e aceitou a superlotação sem questionar, indiferentes aos riscos de uma aglomeração tão grande. Mas não libera, de jeito nenhum, o alvará do bar do seu Joaquim, por que ele não colocou meia dúzia de unidade de luzes de emergência num puxadinho onde há 30 anos tem uma mesa de sinuca. Pode acabar a luz e as três ou quatro pessoas que costumam ficar ali perderem o rumo e se machucarem. Já no estádio… Bem, lá pode exageros, desrespeito à lei. Em tempo: cheguei no estádio às 14 horas.
Edivaldo Magro

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.