Falecimento

Será sepultado às 16h30 de amanhã o corpo de João da Silva, 95, falecido na manhã de hoje em Maringá. Ele era proprietário da conhecida Casa Estrela, na avenida Riachuelo, Vila Operária.
O velório acontece na sala 5 da Capela do Prever da Zona 2, a partir das 19h.

Carlão Maringá, que foi presidente da associação de moradores do bairro, reproduziu matéria da Gazeta Maringaense de maio de 2013 sobre seu João:
João da Silva é um nome comum, compartilhado por várias pessoas, mesmo em áreas não muito extensas, a exemplo de um bairro. No entanto, se alguém perguntar por um João da Silva na Vila Operária, em Maringá, quase todos os moradores vão indicar o mesmo homem: o português fundador da Casa Estrela, uma loja de “secos e molhados” que funciona há mais de meio século na esquina entre as avenidas Santos Dumont e Riachuelo.
O comerciante, de 90 anos, veio de Mação, uma vila pertencente ao distrito de Santarém, na região central de Portugal. Ele não se lembra ao certo do ano em que chegou ao Paraná, mas guarda intactas as memória dos primeiros dias em que trabalhou atrás do balcão de madeira da Casa Estrela. Quando as vendas começaram, na década de 1950, Maringá tinha pouquíssimos anos desde a fundação. “Na época que cheguei, não existia quase nada na cidade. As ruas eram todas de terra e havia muitas perobas. Lembro-me bem de quando chovia e os caminhões atolavam e não tinha quem os tirava. Havia apenas três lojas na cidade. Só esta [Casa Estrela] sobreviveu ao tempo”, recordou. Seo João, como é normalmente chamado, decidiu abrir o comércio por influência do primo Mario Lopes, que mantinha uma loja do mesmo tipo em Cianorte, no Noroeste do Paraná. Desde então, esse maringaense de coração mantém o mesmo estilo de venda – ao pedido do cliente, ele busca o produto nas prateleiras e o entrega em mãos.
“Vender foi o que aprendi a fazer. Aqui, fiz minha vida, criei meus filhos [são três]. Impossível me imaginar fora desse lugar.” A caneta do comerciante não deixa o bolso da camisa em nenhum momento. Com o sotaque carregado, ele distribui “bom dia” para todos os clientes que o cumprimentam.
Entre as conversas, corta carnes, alcança objetos, devolve o troco. Os itens vendidos são variados – vão de comidas a objetos já obsoletos em muitas casas, como filtros de barro e chaminés. Os produtos mais vendidos, segundo o dono, são ferramentas, a exemplo de enxadas, rastelos e chapas de fogão. Seo João tem a ajuda do filho Sérgio da Silva nas vendas. “Fui criado dentro deste lugar. Sou o único que decidiu seguir esse ramo. Estou aqui para não deixar a história morrer”, contou Sérgio.
Em 2014, o Sargento Tavares também publicou fotos e um histórico do seu João, que funcou a Casa Estrela em 1957. (Fotos Sargento Tavares)