Triste Jacarezinho. Triste Londrina

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Por Gustavo Lessa:

Meu avô – Gustavo Lessa de Souza – foi prefeito de Jacarezinho, além de deputado estadual por aquela cidade, nos idos de 1940.

Baratek 10

Jacarezinho era a terceira mais importante cidade do Paraná (atrás apenas de Curitiba e Paranaguá) e um polo político, financeiro e cultural que abrangia todo o Norte do estado, Sul de São Paulo e Sul do Mato Grosso do Sul. Colégios famosos, o embrião da gloriosa Faculdade de Direito do Norte Pioneiro, chefias de órgãos estaduais e federais, hotéis e restaurantes de qualidade, além de um comércio e agronegócio pujantes.
Com o ocaso político, foi perdendo poder, importância, patrimônio material e humano.
Hoje, uma cidade que, apesar de aconchegante e agradável, é saudosa de seu passado glorioso e visitada pelos seus filhos mais ilustres no feriado de finados (antes ainda nos divertíamos no Baile do Texas). Com todo respeito aos honrados jacarezinhenses que ali permaneceram, a cidade é hoje apenas mais uma pequena e pobre cidade do interior do Paraná.
Londrina segue o mesmo triste caminho, numa decadência moral, política e econômica que eu já considero irreversível.
Culpa da elite da nossa geração.
Tudo que Londrina tem de bom conquistou com luta, com garra, com afrontamento ao poder e à infinita ganância do leite quente.
A geada da década de 70 – para os jovens, explique-se que foi o nosso equivalente ao drama de Brumadinho – não foi nada diante do desastre chamado Antonio Casemiro Belinati. Um populista amoral que trocou os afrontamentos por acordos espúrios, o saudável debate político pela política do abraço falso, a conquista de espaço no governo pela luta por carguinhos de segundo escalão, a luta séria de um Hosken pelas piadinhas pobres de um Petriv.
Muito triste.
Nós, da minha vergonhosa geração, ainda nos encontraremos nos dias de finados no cemitério São Pedro, para contar as histórias de uma Londrina que já foi grande.
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(*) Gustavo Lessa é advogado em Londrina. Publicado no Paçoca com Cebola e republicado no Impacto Paraná.

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Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.