Fator complicador

De Bela Megale, em O Globo:

Em meio às mensagens atribuídas ao ministro Sergio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol reveladas pelo site “The Intercept”, uma outra investigação voltou a ganhar fôlego.

Há poucas semanas, o doleiro Alberto Youssef foi ouvido pela Polícia Federal, em São Paulo, sobre a instalação de um grampo ilegal em sua cela, em 2014.
Youssef é um dos primeiros delatores da Lava-Jato. Cinco anos depois, as apurações sobre o grampo encontrado pelo próprio doleiro na carceragem ainda não terminaram. À época, chegou-se a cogitar que se tratava de um aparelho antigo, instaurado em 2008 para ouvir o traficante Fernandinho Beira-Mar, que foi preso na mesma cela anos antes.
No entanto, um agente da PF relatou, em depoimento, que instalou o grampo no local em 2014 e que o objetivo era, efetivamente, vigiar Youssef. A PF passou a investigar o caso, que segue sem conclusão. Na época, Moro era o juiz da Lava-Jato, mas deu pouca importância à denúncia.
Hoje, a posição do ex-juiz é outra. O ministros é chefe da pasta à qual a PF está subordinada. Se vier a ser comprovado que a instalação do aparelho ocorreu quando a Lava-Jato estava sob sua tutela, Moro pode ter novos problemas.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.