Ministério da Saúde cobra empresa que recebeu e não entregou remédio

Mais de um ano após a crise de desabastecimento de medicamentos para doenças raras, o Ministério da Saúde cobra a devolução de cerca de R$ 20 milhões da empresa Global Gestão em Saúde, que recebeu antecipadamente o pagamento para fornecer três remédios de alta complexidade, mas entregou uma pequena fração do que tinha assumido em contrato. O fato aconteceu na época em que o maringaense Ricardo Barros era ministro.

Segundo reportagem de Mateus Vargas no portal Terra, no fim de outubro de 2017 a Global venceu um edital para distribuir ao Sistema Único de Saúde as drogas Aldurazyme, Fabrazyme e Myozyme. Esses medicamentos de alto valor, que não são fornecidos pela rede pública, seriam entregues para pacientes que conseguiram obter na Justiça o acesso às drogas para seus tratamentos. O problema é que os remédios não chegaram.
“Os poucos frascos entregues dos medicamentos não foram distribuídos porque eram amostras”, informou o Ministério da Saúde. Atualmente, segundo a pasta, não há desabastecimento dos produtos, porque novas compras foram feitas.
No fim de 2018, a Global e o governo chegaram a firmar um acordo para a devolução do dinheiro em quatro parcelas. No entanto, a empresa, segundo o ministério, decidiu unilateralmente que faria a devolução em 60 parcelas, o que não foi aceito.
O ex-ministro Ricardo Barros disse que a Global ofereceu menor preço na licitação para compra das drogas e a Anvisa mudou as regras sobre a entrada desses remédios, “determinando a autorização automática de importação quando se trata de judicialização da saúde”. Leia mais.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.