Vagabundo, ‘esse vagabundo’?

Ouvindo a gravação em que o deputado Delegado Waldir se refere ao presidente como ‘vagabundo, esse vagabundo’, fiquei pensando no diz o ministro Marco Aurélio, do STF: ‘Tempos estranhos’.

Sou do tempo que a palavra vagabundo era empregada para definir alguém que não gostava de trabalhar. Será que era isso que o deputado estava querendo dizer de Bolsonaro? A pessoa era do exército, entrou para a política, ficou 28 anos como deputado federal e agora é presidente. Talvez não tivesse trabalhado efetivamente.
Mas não, a expressão é ofensiva, equivalente a ‘não vale nada’, algo assim. Palavra pesada, essa, vagabundo e que comumente ouvimos ( conheço alguém ligado à administração municipal que a usa muito).
Evito, penso muito antes de usá-la e geralmente não o faço. É o equivalente ao raca (citada no Evangelho). Que dá vontade de dizer, isso dá, sobre certas pessoas, mas um deputado, sobre o presidente? Não, não poderia. Bolsonaro é, é,…, é… mas não o chamaria de vagabundo. Nem ele, nem Lula, Temer, Dilma. Para mim vagabundo é quem , podendo, não quer trabalhar.
Pense nisso, você que chama adversários, pessoas que o contraria só por isso) de vagabundo. Você gostaria de ser tratado isso? Você é um vagabundo? Há uma abreviatura que fica mais elegante, ‘esse vagal’.
Akino Maringá, colaborador

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.