Corrida presidencial já começou

Servidores, escolas e alunos são as novas vítimas no Paraná

O Governo Ratinho Jr. incorporou os malefícios bolsonaristas após a reeleição e autorização para liderar o Estado do Paraná até 2026, ano em que teremos eleições presidenciais e o próprio já é considerado pré-candidato ao pleito. A artimanha é vender o Paraná para garantir apoio e também narrativa favorável à casta dos poucos inteligentes ultra-direitistas brasileiros.

A mais recente tacada do Governo do Paraná foi lançar, do dia para a noite, no apagar das luzes, sem qualquer discussão com a sociedade paranaense, um projeto de lei em regime de urgência intitulado como Parceiro da Escola, e que de parceria só mesmo para quem tem interesse lucrativo perante o ambiente escolar público, algo sagrado neste País e garantido pela Constituição Federal, que reza conforme o Art. 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

Traduza “Parceiro da Escola” por terceirização de setores administrativos dos colégios estaduais, hoje habitado por pessoas que têm vivência no ambiente escolar, sabem os meandros e os desafios que a gestão escolar impõe. O Governo quer colocar quem no lugar dos nossos diretores, pedagogos, secretarias, supervisores? Contadores, burocratas, administradores de empresas?

Para quem um dia pisou numa escola pública, há de concordar que aquele ambiente em nada se assemelha a uma empresa. E isso é apenas o começo desse processo de terceirização das escolas paranaenses, e que infelizmente já avançou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), com 39 votos favoráveis, inclusive de deputados que representam Maringá no Legislativo estadual.

Mesmo prometendo que não haveria privatizações de grandes e bem sucedidas organizações públicas do Paraná em 2019, no primeiro mandato como governador, Ratinho Jr. roeu a corda. A Sanepar foi picotada para o mercado, com lance na bolsa de valores no ano passado, uma concessão prevendo duração de 24 anos para 16 municípios da Região Metropolitana de Curitiba e litoral do Estado. Eles ainda não chamam de privatização, preferem falar bonito: trata-se de uma Parceria Público Privada (PPP). Mas, escrevam: vem mais terceirização da Sanepar por aí, que muito recentemente trocou nomes no corpo diretivo justamente para isso.

A Copel é outro exemplo de um governo privatista e que tentará arrematar rebanhos ultradireitistas em 2026, na corrida presidencial, alegando suposta eficiência de mercado. Soa bonitinho na propaganda, mas é o paranaense que tem sentido na pele a ineficiência e o drama recente que significa ter vendido uma das melhores companhias de energia elétrica do País. Péssimo atendimento, terceirização da mão de obra e consequentemente descompromisso de empresas suspeitas no trabalho de manutenção, apagões constantes, e o pior: servidores de carreira desassistidos, enganados com planos de demissões fajutos e até casos de depressão e suicídios.

Precisamos ser fortes e não deixar de lutar. Não quero ser o mensageiro das notícias alarmantes, mas quero expressar meu total apoio aos colegas servidores da Educação paranaense, além, é claro, das nossas crianças e jovens estudantes que poderão passar por momentos ruins nos próximos meses, anos, caso o Governo do Paraná efetivamente consiga enfiar goela abaixo o mesquinho projeto Parceiro da Escola.

Aluno não é mercadoria! E nem o nosso Paraná! Qual será o próximo passo na luta pelos holofotes da corrida dos pré-candidatos da direita? Só faltará mesmo o Ratinho Jr querer privatizar praias aqui no Estado, pauta que, esdruxulamente, começa a ganhar corpo em outras regiões do País.


(*) Mario Verri é vereador e vice-presidente da Câmara de Maringá