Microcrônica
Chovem meteoritos. Enxame de pirilampos de noite na roça. (A. A. de Assis)
Chovem meteoritos. Enxame de pirilampos de noite na roça. (A. A. de Assis)

Um gato no muro. Vacila entre o gordo rato e a gatinha enxuta. (A. A. de Assis)
(Foto Sophie Carrière)
Lua nova e meia. Tão crescente, logo casa, vira lua cheia. (A. A. de Assis)
Tomara que caia. Ante a malta salta sobre a poça a moça. (A. A. de Assis)
Tímida peroba. Dá-lhe a orquídea um leve toque de namoradeira. (A. A. de Assis)
Caminhão de lixo. O derradeiro passeio da gula e do luxo. (A. A. de Assis)

Teste de audição. Canta ao longe um sabiá… e eu posso escutar. (A. A. de Assis)
(*) Foto Laís Aquemi
Veja a parasita: parece gente que a gente acha até bonita… (A. A. de Assis)

Bem-te-vi faz um rasante, fere ao peito o gavião. Davi um, Golias zero. (A. A. de Assis)
Ante o Pão-de-Açúcar, dá as costas a Lua ao mar. A lei do mais doce. (A. A. de Assis)
Um impasse e tanto: se trabalho, o canto atrapalho. Nesse caso, canto. (A. A. de Assis)
Minhoca e minhoco. Será como que eles fazem quando estão no choco? (A. A. de Assis)
Vai dormir o Sol. Na cabeça da montanha pendura a coroa. (A. A. de Assis)

Um vaso de avenca. Minimíssima floresta. Mas é verde, é festa. (A. A. de Assis)
Cada mês que passa vai passando a ser passado. Nós também, que pena… (A. A. de Assis)

Deixa o beija-flor um “selinho” em cada rosa. E elas gostam… ahhhh. (A. A. de Assis)
Tá podendo o joão-de-barro. Só ele, entre a passarada, vive em mansão. (A. A. de Assis)
Iça… iça… iça… Devagar vai indo ao longe o bicho-preguiça. (A. A. de Assis)
Amar é bom à beça. Bastante e sem pressa. De preferência ao luar. (A. A. de Assis)
Um ato de fé. Lavrador, olhando o céu, abana o café. (A. A. de Assis)
Cantam parabéns. Sopro mais uma velinha… Mais velhinho estou. (A. A. de Assis)
Pião da saudade. Roda e pousa numa era em que era bela a vida. (A. A. de Assis)
Banho de rio, bola de gude, bola de meia. Terra natal. (A. A. de Assis)
Quem nada… tem tudo. Somente os peixes puderam dispensar a Arca. (A. A. de Assis)
O amor sempre tem razão. Mesmo quando, às vezes, erra. (A. A. de Assis)
Aguinha da bica. Pousa o melro, beberica. Louva a vida. Canta. (A. A. de Assis)
Nasci na montanha. Supunha coubesse a Terra toda em meu olhar. (A. A. de Assis)
Dá-me aí, poeta, uma rima para míssil.
– Difícil, difícil.
(A. A de Assis)
Cocô da andorinha cai justo em cima da rosa. Lesa-majestade. (A. A. de Assis)