De Rudá Ricci:
Em ano eleitoral, os partidos procuram se diferenciar. No caso brasileiro, também procuram afirmar que seus líderes e militantes fazem parte de um todo, de uma unidade coesa e visível até mesmo à distância, bastando visualizar as cores e número oficial de cada partido. Sob o manto da sigla, todos filiados seriam iguais, uma comunidade a pensar e propor um país único. Este é um dos mitos fundacionais do nosso sistema partidário que não existe. Por culpa do Partido dos Trabalhadores esta história teve um interregno, durante os quinze primeiros anos de existência deste partido. Em sua origem, o PT atacava todo sistema político. O PSDB, ao surgir anos depois, ao tentar se diferenciar do que os petistas denominavam de “farinha do mesmo saco”, assumiu a tarefa de polarizar, desde sempre, com a “novidade”. A polarização foi a saída intuitiva para também se tornar algo distinto da tradição. Mas em anos de lulismo, a tradição partidária tupiniquim retornou. PT e PSDB continuam, por força do passado recente e ânsia de poder, a polarizar. Na íntegra.