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Final infeliz

De Júlia Medeiros:

daqui vejo o amor escorrer silencioso. e por mais que faça isso sem alardes, meus poros sentem sua partida. veneno vagaroso. cortante, ardente, escaldante. e nada sangra mais que essa paz de trincheiras. nada mata mais que essa sua guerra fria. antes me atravessasse o cinete às entranhas. antes me torturasse com mil crueldades. me bata! se zangue! o amor evapora, fumaça, neblina e você nem se move. e nada fere mais que esse riso vazio. um frio me rasga a espinha ao vê-lo amável e passivo. antes fosse cínico, rude, covarde. antes urrasse e me estilhassasse assim em milhares de partes. e mesmo que você não tentasse encontra-las eu teria ouvido o seu grito de guerra, seu coração em disparate. o amor se esvaindo, o amor desvanecendo, o amor… indo. e mesmo que ele morresse, não seria letal: se você lutasse. bandeira branca. amor, descanse em paz. só não me olhe como se lamentasse.

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