“Somos todos insossos”

Do leitor, dirigindo-se a Akino Maringá:

Você tem razão em se indignar com os 1.100.000 narizes de palhaço que o executivo e a câmara municipal (em letras minúsculas mesmo) estão distribuindo para a população maringaense. E não são só eles que estão ajudando nessa distribuição não. Sou particularmente a favor de que uma feira como a do Empreendedor seja sediada em nosso município. Creio ser importante o município se destacar e se firmar como um pólo de negócios no Paraná. E sediar essa feira auxilia nesse sentido. Concordo também com o município em patrocinar, mas dentro de limites aceitáveis. Por exemplo: ceder o espaço, dar alguma infraestrutura e aportar algum recurso para campanhas publicitárias e até para custeio. Mas 1,1 milhão? E ainda, destes, 450 mil para custear caravanas de outras regiões? Bah… Sinceramente: me sinto insultado com isso. E começo a pensar que nós maringaenses somos todos ou apáticos, insossos, vendidos, uns “merdas” mesmo ou somos de tal maneira manipulados (conscientemente) que nem ligamos para o fato desse dinheiro sair do nosso bolso, pagar viagem de contribuintes de outros municípios e estados, enquanto aqui temos uma porção de prioridades que poderiam ser atendidas com ele. E nossos “pobres” edis então? O que pensar deles? Melhor não pensar. Tinha alguma esperança de que pelo menos o Flávio Vicente, que agora está nas propagandas falando sobre a economia que ajudou a promover na câmara, pudesse se manifestar sobre esse derrame ralo abaixo do dinheiro dos contribuintes que ajudaram a elegê-lo. Sei que alguns poucos se salvam ali, mas infelizmente esses caras estão a cada dia mostrando como se deve perder a confiança em uma instituição da sociedade, que deveria defender seus interesses. Aliás, parece que pelo menos isso eles fazem, defender seus interesses… próprios, é claro. Fico pensando também se o Sebrae receberá esses 1,1 milhão. Mas esse pensamento é errado, creio eu, pois quem poderia ter interesse em parte desses recursos em plena campanha eleitoral e, na sua fase mais dispendiosa? Também não sei se alguém iria se sujar por tão pouca coisa, porque, é claro, não seria mais do que 20 ou 30% do total?
Penso também (percebe que estou pensando demais?) como outras instituições não se manifestam sobre esse descalábrio. Jornais, rádios, programas de TV (cujos apresentadores se indignam com descasos à população quando não são atendidos pelo posto de saúde, por exemplo), Observatório (aquele que fica olhando para as estrelas, e ganha prêmios por isso), SER, Instituições de Ensino Superior (UEM e Cesumar, por exemplo e só para citar as maiores), os próprios candidatos a deputados estaduais e federais (apesar de não serem instituições). Quanta apatia, falta de interesse, falta de compromisso com a sociedade, falta de fiscalização, submissão, subserviência, etc, etc, etc. Por fim penso que nós, maringaenses, ou estamos desacreditados com essa porcaria toda ou somos o exemplo nítido de que realmente o eleitor brasileiro, tendo nível baixíssimo de escolaridade, é perfeitamente manipulável.