Aborto e verdades desconhecidas
Aborto não é apenas a eliminação de uma vida fisiológica prestes a se formar, mas o impedimento da encarnação de uma alma. Que assim é forçada a retardar sua marcha evolutiva e a esperar outra oportunidade, que pode ser de longa espera e angústia. Sem o corpo que a revestiria e que já estava se formando no útero materno, ela tem de retornar a origem, pois é preexistente, eis que a mãe não cria uma alma. Este é um atributo de Deus. Antes de aqui aportar, a futura mãe se disponibilizara a hospedar um determinado ser em seu ventre, por carma ou afinidade, mas ao chegar e envolver-se na densidade terrena esqueceu-se da promessa e eventualmente optou pelo aborto. (O esquecimento é para que se opere o mérito de tudo que nos acontece aqui).
A gravidez é uma formula da misericórdia divina para operar-se a evolução do ser/ essência que se instala num corpo físico e também dos pais. Pode ocorrer como provação e em circunstância adversa, incuído o estupro. Ainda assim, independente das leis humanas, isto não justifica o aborto. Justamente aí pode residir a grande prova, porque este planeta é também um campo de resgates e purificação. É irrelevante questionar quando começa a vida física: se na fecundação ou em que fase da gravidez, porque a vida já existe perene no ser que chega e teve início quando Deus criou todas as coisas. No sagrado cálice da mãe só se forma o corpo físico.
O aborto pela rejeição egoísta é um delito perante a lei dos homens e pela lei de Deus. Não tem a ver com religião e sim com a vida em sua dimensão cósmica. É um débito e uma nódoa no registro cármico de que o faz por aquela forma, do agente que o executa e de quem o prega. Uma gravidez é uma dádiva e ( salvo casos graves de risco) deve ser levada adiante.
A este texto do jornalista Walmor Macarini, de Londrina, publicado recentemente no Jornal Folha de Londrina, gostaria de acrescentar que é importante a discussão no tema nesta campanha eleitoral, embora de forma equivocada, por alguns seguimentos religiosos e aproveitamento por marqueteiros políticos. Se há alguma alteração a fazer na legislação atual, do ponto de vista do Espiritismo, a única seria excluir a possibilidade de aborto por estupro e um maior rigor médico nos casos de risco de vida para a mãe. Particularmente penso que qualquer que seja o Presidente eleito não terá força para, por sua vontade, discriminalizar o aborto. Nenhum partido político, sozinho, conseguiria aprovar uma medida assim. Fiquemos tranquilos, os dois candidatos se dizem contra a mudança da legislação.
Valcir Martins, administrador, Maringá – PR
*/ ?>
