O binóculo

Do padre Orivaldo Robles:

O coitado vivia numa dureza de fazer pena. Já tentara de tudo, mas não conseguia sair do miserê em que se achava. Quase no desespero, resolveu mandar uma carta para Deus. Com humilde franqueza, se abriu: “Olhe, Deus, o Senhor conhece tudo, então nem preciso explicar o que estou passando. Para mim, como vê, a maré “tá” braba. Desempregado, mulher doente, ameaça de despejo pelo aluguel atrasado… Para piorar, ontem o caçula quebrou a perna. Eu não queria incomodá-lo, mas não tive saída. Precisa me dar uma mãozinha. Pro Senhor não deve ser grande coisa. Por favor, me veja aí uns quinhentos reais para as despesas mais urgentes. O resto eu vou controlando. Confio no Senhor. Desde já, fico-lhe muito agradecido”. Assinou, anotou o próprio endereço no verso e escreveu na face do envelope: Excelentíssimo Senhor Deus – Céu. Na íntegra.