Ivo Cunha

??De Donizete Oliveira:

Falar de Ivo Roque da Cunha é lembrar dos bons tempos do rádio. Tempos em que o locutor se identificava com o ouvinte. Quem não se lembra de Edgar de Souza, Rádio Nacional, Zé Bétio, ainda na Rádio América e aqui mesmo em Maringá: Nhô Quinca, Coronel do Rancho, João Pereira e João Vrenna, hoje em Mandaguari. Para citar alguns. Cada um no seu estilo, eles mantinham elo com o ouvinte. Antes da rádio e da programação estava o locutor. No seu estilo, Cunha era um desses locutores que mantinham relação com ouvinte. Não tinha grande formação escolar, mas era dotado de vasta cultura musical. Zelava pelo microfone. Não maltratava a língua pátria com palavras impróprias. Muita gente não preza pela profissão, transformando o microfone numa espécie de descarga para seus impropérios verbais.
Natural de Florestópolis, desde menino tinha paixão pelo rádio. Adolescente, animava festas de igrejas e fazia teatro no colégio onde concluiu os estudos básicos. Em 1971, foi convidado a fazer teste numa rádio de Porecatu. Aprovado, viu a chance de apresentar seu primeiro programa. Chamava-se “Nossas homenagens aos aniversariantes”.
De lá se transferiu para Londrina. Trabalhou na Paiquerê, Tabajara e Rádio Clube, que na época pertencia a uma rede de 36 emissoras no Brasil, das quais sete no Paraná. Coronel do Rancho, então gerente da Rádio Difusora, trouxe-o para Maringá. Por alguns anos, apresentou programas na emissora.
Um dia dormiu até mais tarde e chegou atrasado para abrir seu programa na Difusora. O incidente lhe causou mal estar com a gerência, e ele resolveu deixar o trabalho. Seu estilo nômade falou mais alto. Foi para a Rádio Cultura de Umuarama. Mas logo voltou para a Atalaia de Maringá. Não demorou a aceitar convite para ajudar a pôr no ar a então Rádio União de Toledo.
Daquela cidade foi trabalhar na Rádio Independência de Medianeira. Em 1979, retornou para a Atalaia, onde ficou até 1990. “Foi minha melhor fase profissional”, disse-me certa vez. Ele apresentava o programa “Manhã Alegre” e aos sábados “Placar Atalaia do Sucesso”. Por vários anos, líder nas pesquisas de audiência em Maringá e região. Naquele tempo, o Ibope fazia pesquisa de audiência em várias cidades do Paraná.
Cunha atuou ainda na repetidora da extinta TV Manchete e, por último, trabalhou na Rádio Cultura. Atualmente, estava fora do microfone, mas não do meio. Gravava comerciais e apresentava um programa de entrevista na RTV de Maringá. Afirmava que a idade o fez ficar mais exigente por isso não se sujeitava a qualquer trabalho.
Leitor de Olavo Bilac e Castro Alves, dizia que todo locutor deveria se atualizar com leitura de bons autores, jornais e revistas. Um dos seus últimos projetos era gravar versículos e salmos bíblicos. Mas pelo jeito não deu tempo. Cunha morreu dia 19 aos 60 anos em Maringá. Era diabético e tinha problemas cardíacos.