Um circo e tanto

Neste domingo, nós maringaenses fomos presenteados com um grandioso espetáculo. Enquanto estávamos nos preparando para uma simples e rotineira eleição, o que se mostrou ao final do dia foi um verdadeiro Deus nos acuda. Para os possuidores de narizes atentos, algo já não cheirou bem no momento de início de campanha, sendo visível a disparidade entre os materiais de campanha proporcionados aos candidatos. Era carro de som contra carriola e panfleto contra outdoor. Mas… como todo bom circo, isso era apenas os preparativos, ainda tinha muito por vir. Logo de cara os mágicos entraram em cena, sumindo com cédulas de votação, fazendo desaparecer votos aqui e aparecer ali, coisa incrível. Depois foi a vez dos ilusionistas, que davam a impressão de estar em vários lugares ao mesmo tempo, como se uma só pessoa fosse capaz de ser 2, ou 12 por exemplo, puro golpe de ótica, claro.
Estavam lá também os malabaristas, que foram dar uma mãozinha, tentavam equilibrar cédulas numa mão, envelopes em outra, listas, caneta, e isso tudo sem o menor treinamento, uma loucura. Ficaram responsáveis de carregar as urnas, bonito de ver, coisa de profissional, pena que em virtude da perna de pau eles demoraram demais para realizar o ato. No meio da coisa toda, não me pergunte sobre os organizadores da atração, CMDCA, Comissão Eleitoral, Promotoria da Infância e Juventude, existia alguém ali, fazendo o que, ninguém viu.
E é claro, não podia faltar o principal: os palhaços. E olha que teve palhaço hein, 7.024 para ser mais exato. Palhaços, que como eu, nem sabiam que eram palhaços. Que saíram de casa para votar, exercendo seu papel de cidadão e que acabaram participando efetivamente do show. E depois desse circo todo passar, tenho que confessar: não achei a mínima graça!

José Palhaço da Silva