De Marcos Nascimento, adolescente participante do Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná:
A eleição para conselheiro tutelar, realizada neste último domingo em Maringá, deveria ter sido um exercício de cidadania, mas na minha visão, e também na da grande maioria dos adolescentes residentes neste município, foi um fracasso, um completo fracasso. Falta de agilidade e locais de votação, falta também de pessoal preparado para exercer a função de mesário, falta de cédulas, para os locais de votação, casos de pessoas votando em diversos lugares, alguns casos isolados de problemas nos computadores, faixas de divulgação das eleições em locais errados, pessoal tendo que votar em envelopes por falta de cédulas, atraso na chegada das urnas, e para fechar com “chave de ouro”, houve atraso na apuração dos votos, onde um princípio de tumulto marcou o início da mesma, havendo a necessidade de presença da polícia para acalmar os ânimos.
A confusão aconteceu por volta das 22h, no Instituto Estadual de Educação, local para onde foram levadas as urnas que receberam os votos em 29 escolas municipais e estaduais, além do terminal urbano. Pessoas presentes acharam que estava demorando muito para o início da apuração e que se tratava de alguma manobra para favorecer alguns candidatos. Após ver tudo isso ocorrer, estou profundamente decepcionado, pois não foi o que nos, cidadãos, esperávamos. Como um adolescente maringaense, e também um cidadão da mesma, não esperava tamanho despreparo e amadorismo da parte do CMDCA na organização e no realizar das eleições, já que esta é de sua responsabilidade. E também critico o tempo que foi dado para os candidatos fazerem suas campanhas, que foi demasiado curto, e que pode ter afetado o número de pessoas que foram às urnas e votaram. Isto é, se não levarmos em conta as que foram aos locais de votação mas não conseguiam votar.
E tudo isso na cidade onde foi primeiro implantado o Conselho Tutelar. Que “exemplo” para a minha geração, e para as que ainda então por vir. E encerro com uma pergunta: Somos nós, crianças e adolescentes, que não temos a capacidade de ser indivíduos transformadores desta sociedade?