Mortes no Pará
Quando estive em São Félix do Araguaia, divisa entre Mato Grosso e Tocantins, em 2007, o bispo emérito daquela prelazia, dom Pedro Casaldáliga, quem eu entrevistei para a então revista Página 9, me disse que as mortes por conflitos de terra naquela região e no Sul do Pará são bastante comuns. Ele se referia a pessoas que se opõem à destruição da floresta. Muitas vezes, pagam com a própria vida. O próprio dom Pedro viu matarem seu amigo, o padre João Bosco Burnier, em 1976. Eles reuniam provas para denunciar o caso de uma mulher que fora torturada com agulhas enfiadas por baixo da unha. Só não mataram dom Pedro porque imaginaram que o padre (com trajes mais apresentáveis) fosse o bispo. Agora, vemos com tristeza mais dois assassinatos naquela região. Dos ativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo da Silva. O que a gente espera sempre é que os culpados sejam presos e punidos. Incluindo os mandantes.
Donizete Oliveira, jornalista e professor em Maringá
*/ ?>
