aulo Renato de Souza, ministro da educação durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, morreu no sábado (25), aos 65 anos, quando sofreu um infarto fulminante. A mídia sensacionalista tratará de recordar seus feitos, obviamente, nessa hora pós morte, atribuindo a todos características positivas. Lembrarão do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) e do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério). Mas será que falarão que foi na sua gestão que a educação brasileira se subordinou, de forma mais consentida, à lógica do mercado e aos ditames dos organismos internacionais? Será que lembrarão que o técnico Paulo Renato conduziu a sua pasta a partir da cartilha do credo neoliberal, cujo núcleo central é a idéia do livre mercado e da privatização? Será que mostrarão como o Ministério da Educação, naquele período, instituiu os mecanismos de avaliação sob a lógica do mercado? Certamente não será assim que o ex-ministro será lembrado. Mas, nós educadores, não podemos esquecer essas marcas indeléveis.
Ivana Veraldo