Por padre Orivaldo Robles:
Muitas pessoas com quem convivemos se especializaram na arte de reclamar de tudo. Não se sentem satisfeitas com nada, em momento algum da vida. A todo instante e a propósito de qualquer coisa, encontram o que lhes desagrade. Parece que, pela manhã, ao se compor para o dia, junto com a roupa, vestem também a carranca do mau humor.
Testa franzida, sobrolho carregado, cara não de poucos, mas de nenhum amigo, é como se gritassem aos quatro ventos: “Olhem para mim, vejam como eu sofro; como a vida é madrasta para este pobre infeliz que sou”. Conversar com pessoas desse naipe é um aborrecimento só. Se você pergunta “Como vai?”, a resposta já vem descarregando um caminhão de lamúrias.
Estamos caminhando para a instauração da cultura da frustração zero. Para a expectativa de uma vida sem nenhum esforço nem dificuldade. Vai-se estabelecendo a geral convicção de que tudo tem que ser milagrosamente despejado no colo da gente. Ninguém parece compreender a ilusão dessa proposta. As crianças, desde cedo, são levadas a não aceitar a palavra “não”.
Ditadores mirins, nos dizem (se não dizem, pensam): “Eu posso fazer tudo o que me der na veneta e você não pode me impedir; ninguém tem direito de me recusar nada”. O resultado, que já estamos experimentando, é uma sociedade onde se torna proibido contrariar alguém. A mais leve contestação é interpretada como ofensa aos sagrados e incontestáveis direitos do indivíduo. Qualquer ninharia converte-se em motivo de destempero, quando não de violência física.
Pura ignorância. Será tão difícil reconhecer que temos limites dos quais é impossível escapar? Frustrações fazem parte da natureza humana. Somos seres limitados, portanto abertos à possibilidade do sofrimento. Não faz sentido comportar-se como um bebê mimado, que abre a boca e esperneia diante de qualquer contrariedade. As pessoas que sofrem de verdade dão mostra de uma fortaleza que devemos não só admirar. Precisamos é de imitar.
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(*) Padre Orivaldo Robles é sacerdote na Arquidiocese de Maringá