Mais vereadores, mais participação!

Por Donizete Oliveira:

Assistimos a um debate em vários municípios sobre o número de vereadores para a próxima legislatura. Salvo engano, a Constituição definiu um número, mas permite que cada município defina além do mínimo proposto. Os contrários ao aumento argumentam que mais vereadores trarão mais gastos ao erário.
Não vejo assim. Quanto mais vereadores numa Câmara, melhor. Seria mais difícil a corrupção se alastrar entre os pares. E aquela coisa horrorosa de dizer amém a tudo que o prefeito manda ao Legislativo não seria tão fácil.
Quanto mais vereadores, mais possibilidade de transparência e democracia no Legislativo. Pelo sistema político atual, se eleger com poucas vagas numa Câmara é uma missão hercúlea. Só quem tem dinheiro, será capaz de bancar uma eleição tão concorrida.
Com mais vereadores haverá possibilidade de outras lideranças chegarem lá. Em Maringá, por exemplo, quanta gente boa ficou de fora na última eleição. Em Sarandi, ocorreu o mesmo. Apucarana também deixou de eleger bons nomes. Entre outras cidades.
A maioria dos discursos contra o aumento de vereadores argumenta que a Câmara vai gastar mais. Não creio. E mesmo que gastasse. O Legislativo é um poder e como tal precisa de um orçamento.

No Brasil, tornou-se chique ser contra os gastos públicos. Nós, da mídia, somos um pouco responsáveis por isso. Achamos que esses pequenos gastos é o flagelo do nosso sistema político.
Não é. O ralo que consome o dinheiro do país chama-se dívida interna e externa. Alguém vai dizer que a externa já foi paga ao FMI, conforme um ex-presidente afirmou. Verdade, mas a cota maior está com os bancos internacionais. Para eles, continuamos devedores.
O velho Leonel Brizola tinha razão quando falava das perdas internacionais. É para lá mesmo que vai nosso dinheiro, enquanto deixamos de investir em saúde e educação, por exemplo. E diga-se, até agora nenhum governo enfrentou esse desafio.
Segundo a Auditoria Cidadã, órgão independente que pede a auditoria das dívidas brasileiras, em janeiro último, a dívida externa estava em U$$ 357 bilhões e a interna em R$ 2,24 trilhões. Portanto, o buraco é mais embaixo.
O debate deveria ser pela qualidade das câmaras. Para o povo ficar mais atento. O que se vê por aí é muito vereador assistencialista, que não atua em benefício do coletivo.
Mais cadeiras nas câmaras aumentaria a possibilidade de eleger gente esclarecida sobre o verdadeiro papel do vereador. O Brasil precisa ficar atento. Muitos dos que defendem minoria no Legislativo quer encolher a participação popular. Mais vereadores, mais participação!

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*Jornalista e professor em Maringá