“Dentre as diversas vertente da atividade turística, o turismo religioso desponta como das mais promissoras. De acordo com pesquisa efetuada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da Universidade de São Paulo, nada menos que 3,6% de todas as viagens realizadas no interior de nossas fronteiras têm a visita a locais de inspiração religiosa como motivação principal. Estes números têm relação direta com o aumento de renda da população e do acesso desta população ao crédito, conjugado à religiosidade do brasileiro, um dos traços característicos de nosso povo.
A par dos efeitos benéficos comuns a toda a cadeia do turismo, em termos de geração de emprego e renda, especialmente nas faixas de menor qualificação, o turismo da fé ainda promove a dinamização da economia das muitas pequenas comunidades que sediam destinos religiosos. Este é um aspecto que recomenda a atenção das autoridades do setor para a elaboração de medidas de apoio ao turismo religioso, com especial ênfase na identificação de cidades e roteiros com potencial de aproveitamento neste segmento.
É o caso, Senhor Ministro, da cidade paranaense de Lunardelli. Situada no centro-norte do Estado, a aproximadamente 400 quilômetros de Curitiba, este pequeno município, com pouco mais de 5 mil habitantes, é um exemplo do potencial econômico e social transformador do turismo religioso.
A cidade de Lunardelli em nada diferia de tantos outros municípios com vocação basicamente agrícola, até o final de 1993. Nesta época, o novo pároco, padre João Maria da Rocha Santana, deu-se conta da espontânea devoção dos habitantes da paróquia a Santa Rita de Cássia, conhecida na hagiografia católica como a Santa das causas impossíveis. Assim, a partir de janeiro do ano seguinte, padre João Maria deu início à realização de novenas a Santa Rita de Cássia, celebrada todos os meses no dia 22.
A repercussão da novena mensal sobre o povo de Lunardelli foi imediata e crescente. Em pouco tempo, centenas de pessoas passaram a participar regularmente da celebração. Não apenas isso, em poucos meses fieis de outras paróquias e de outras dioceses juntaram-se aos da cidade. O movimento alcançou tal monta que em 1995 decidiu-se pela construção de uma gruta dedicada a Santa Rita de Cássia, de forma a melhor atender o crescente contingente de romeiros que para lá se dirigiam todos os meses.
Com a construção da gruta e a consolidação da novena como evento permanente, a cidade de Lunardelli assistiu a verdadeiro despertar. A Igreja e a Gruta de Santa Rita de Cássia firmaram-se definitivamente como polo religioso de âmbito regional e estadual. Já reconhecida como Santuário, a paróquia recebe atualmente impressionantes 400 mil fieis a cada ano! Em consequência, a própria vocação econômica da cidade foi alterada: de pequena comunidade agrícola, ela passou a ser um centro de prestação de serviços de apoio às centenas de milhares de romeiros que buscam as bênçãos da Santa das causas impossíveis. O comércio se desenvolveu, as instalações da cidade foram ampliadas e modernizadas, uma feira de artesanato se desenvolveu em torno da gruta, meios de hospedagem foram construídos, enfim, formou-se, do nada, um centro de turismo religioso de porte considerável.
A transformação da cidade foi súbita e notável – o que, aliás, bem poderia ser atribuído à intercessão de Santa Rita de Cássia. O potencial turístico da Gruta, porém, está longe de se esgotar. O movimento de romeiros não para de crescer, assim como a fama do lugar não para de aumentar.
Neste sentido, queremos registrar nossa sugestão para que o Ministério do Turismo realize os estudos e concretize as providências para que a Gruta e o Santuário de Santa Rita de Cássia em Lunardelli sejam instituídos como Local de Interesse Turístico, nos termos previstos na Lei nº 6.513, de 20/12/77. Este será, certamente, o passo definitivo para a consolidação deste complexo como um dos grandes destinos de turismo religioso no Brasil. Ao mesmo tempo, o reconhecimento, por parte das autoridades governamentais, de uma experiência tão bem-sucedida, indubitavelmente estimulará outras comunidades, nos mais diversos rincões do país, a enxergar no turismo religioso uma fonte de progresso e riqueza para seus habitantes”, diz o ofício.
(Foto: Cambira Online)