A falta de senso do Censo sobre Drogas

O Governo do Estado do Paraná vai fazer censo para traçar o perfil de usuários de drogas psicoativas – legais e ilegais – dentro das universidades estaduais. Falta ao governo discernimento! Tal pesquisa é totalmente dispensável, além de gerar inúmeros dissabores e preconceitos. Estudo semelhante já foi realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), apontando que pelo menos metade dos universitários já consumiu alguma substância psicoativa ilícita antes de entrar na universidade. Isto confirma minha tese de que a Universidade não é prioritariamente ponto de partida para o uso de drogas . A pesquisa também mostra que os universitários de instituições privadas são os que mais consomem drogas ilícitas. Quando o governo do Estado reduz o espaço da pesquisa às universidades públicas gera ou amplia a tese de que esse espaço aglutina mais estudantes com comportamentos considerados reprováveis. Caso o Paraná considerasse a pesquisa nacional deveria realizar estudo em todas as instituições de ensino superior. Além disso, ao escolher a comunidade universitária, a pesquisa seleciona uma clientela específica e não todos os usuários de drogas. A pesquisa revela a concepção o de educação do governo do Paraná. De maneira alguma a instituição escolar é percebida como mediadora da sociedade, ao mesmo tempo determinada e determinante. É por esse motivo que a pesquisa toma como referência a tese de a Universidade é ponto de partida para o uso de drogas. Para o Estado, portanto, o problema do uso de drogas é educacional e é pela educação que deve ser resolvido. É uma falta de senso que uma questão social tão complexa seja reduzida dessa maneira.

Ivana Veraldo