Certa vez, tendo uma empreiteira conquistada determinada obra milionária, seus proprietários trataram de retribuir a ajuda recebida do prefeito no direcionamento da licitação. Receosos de que o simples pagamento de propina pudesse ofendê-lo, e sabendo de sua fama de defensor dos princípios cristãos, trataram de encadernar expressiva quantidade de notas de R$ 100,00, dando ao livro assim formado uma capa onde se lia em bela gravação dourada: “Bíblia Sagrada”.
Na prefeitura, durante a audiência, os empreteiros então lhe entregaram o mimo: “Sabemos quanto o sr. ama assuntos religiosos e por isso lhe fizemos este presente”. O prefeito recebeu o livro, folheou-o, impassível, sem demonstrar a mínima surpresa diante do insólito recheio. E respondeu: “Agradeço muito, mas é preciso fazer um reparo. O livro santo é composto do Velho e do Novo Testamentos, aqui só tem um volume e eu detesto as obras incompletas”. De imediato, os empresários responderam: “Não trouxemos os dois volumes porque o outro ainda está sendo impresso, mas o receberá em breve”. À saída do encontro, um virou para o outro e disse: “Veja o que nos vão custar os conhecimentos religiosos do prefeito…”.
(História baseada em fato ocorrido com Abdul-Hamid, sultão da Turquia, que reuniu de 1876 a 1909, ano que em foi deposto)