De Ana Lúcia Rodrigues-professora do DCS/UEM:
Nesse momento vemos um movimento em que os trabalhadores das universidades (apoiados em sindicatos que estão cumprindo o papel autônomo que lhes compete), expropriados dos seus direitos mínimos reverteram a prática da conciliação e da paz social e se colocaram como sujeito político, como uma classe organizada com reivindicações absolutamente justas. Reivindicações que deveriam ser do conjunto de todos os servidores das universidades paranaenses. Pois, nossas instituições estão morrendo à míngua sem quadros técnicos que realizem as atividades-meio, para viabilizar as atividades-fim: o ensino, a pesquisa e a extensão.
Torna-se imperativo, assim, reunir nesta ação o conjunto dos servidores e dos alunos das universidades públicas paranaenses, incluindo os sujeitos que ainda não se identificam com este combate político. Sim, pois trata-se aqui de um combate contra um Estado que está sucateando nossas instituições até um ponto em que o coro de vozes (equivocadas), hoje já ouvido, será talvez engrossado por muitas outras e o próprio servidor público implorará ao Estado: terceirize as universidades!!! Entregue o maior patrimônio público intelectual do estado para um grupo de investidores privados detentores de saber neoliberal competente!!!
Será tão difícil à intelligentzia universitária perceber que a reinante sabedoria consensual neoliberal não reconhece legítima a heterogeneidade social e as contradições e conflitos a ela inerentes? E que, o que está em curso neste, como em qualquer movimento de greve, é o efetivo fazer política, a manifestação da contradição, do conflito, da desigualdade que fazem parte desta sociedade, mas somente se manifestam pelo dissenso, pela perturbação da “ordem”. Por exemplo, num movimento deste, que atrapalha a vida de muita gente, é quando se dá a possibilidade de mudar o que é hegemonicamente visível, dizível, contável.