O mensalão à mesa

De Astrogildo Malaquias:
Analisando o atual quadro político de Maringá e fazendo um paralelo com o tsunami que está levando várias castas políticas no julgamento do mensalão para a condenação, cadeia, constatamos o quão pobre são as candidaturas em termos ideológicos. Nacionalmente, nas principais cidades brasileiras, o julgamento do mensalão e do desvio ético e bandido das lideranças petistas nacionais fazem parte do dia a dia da campanha. Aqui em Maringá, ninguém fala nada, ninguém coloca o podre na mesa e tenta servi-lo, mesmo que em forma de mensalinho.
De forma equivocada estão todas as candidaturas, exceto a do PT, naturalmente, fora da sintonia da sociedade. Quem tem página no Facebok, twitter, pode acompanhar como as decisões do STF até agora tem sido comparado aos grande atos paladinos. Ministros do STF instados a heróis e os que posicionam contrário à condenação como petralhas, metralhas ou qualquer coisa parecida. Onde poderia dar, caso fosse o mensalão desgustado na mesa do jantar da campanha política maringaense?
Acredito que chamuscaria a campanha petista, trazendo um pouco mais de dificuldade do que as encontradas até agora. A rejeição do povo maringaense ao partido PT e a qualidade do programa de TV. São duas coisas difíceis de eliminar. A rejeição ao PT é histórica e vem desde a administração petista em Maringá e parece que será ad-eterno, algo como o relacionamento do Alvaro Dias com a APP, que de forma matreira coloca o nome de rejeição dos professores. Com relação ao programa de TV, é o mesmo que tentar discutir a qualidade e o sabor da bala Juquinha. A diferença é que a bala Juquinha era a mais vendida, apesar do emblema feio.
Se o mensalão pegaria a candidatura petista, por que os progressistas não colocam o tema na mesa?
Acredito que poderiam usar a própria participação do PP no mensalão. Ocorre que a responsabilidade do mensalão é do governo petista, ele é o agente, o sujeito ativo, os demais eram os passivos. Não tendo a oferta, a demanda fica reprimida, neste caso poderia existir outros formatos, menos o mensalão e a bunda exposta de todo o governo do PT no plano nacional.
Naturalmente que a candidatura do condomínio Barros teria que pesar os prós e contras, mas tendo como ponto favorável a rejeição natural ao PT em Maringá qualquer pesquisa qualitativa apontaria que teriam mais vantagens do que prejuízos, caso nacionalizassem a campanha em Maringá. Até porque o próprio marqueteiro do PT optou em tirar a estrela, símbolo maior da sigla de suas peças publicitárias. Fez com que o condomínio Verri, engolisse tamanha agressão a imagem eterna da estrela do PT, só não escondeu o 13 porque é a forma do voto eletrônico. Fosse ainda à moda antiga, com certeza ninguém veria o 13 na campanha maringaense.
Com um candidato maior que o partido, em Maringá, por mais que a boa vontade e deferência a este exista, a carga partidária parece que lhe será caro em seu maior sonho e projeto político.
Partindo para as demais candidaturas, que candura existe entre o Quinteiro e o PT que o impede de colocar na TV o tema do mensalão?
Até este momento ao que se notícia, não tem nenhum político socialista envolvido com o mensalão. O partido do Eduardo Campos, Miguel Arraes, conseguiu safar-se desta nódoa moral, ética. Se está fora da omelete, seria natural que uma candidatura que apresenta um candidato articulado para falar e se tivesse pretensões em ir para o segundo turno, partisse para colocar na mesa do jantar tamanho filé e apimentaria a campanha com um pouco de pimenta malagueta. Enquadraria com uma só tacada as duas principais candidaturas colocadas. Mas isto, temos de entender, é coisa para cabra macho e de quem respeita padim Padre Cícero.
Resta-nos a esperança da gibeira da candidata Maria Iraclézia ter mais petardos do que da candidatura socialista. Apesar do famoso mensalão do DEM no Distrito Federal, foi algo tão rápido e minúsculo, e nem por isto menos promiscuo, mas que está longe do imaginário popular e nenhuma pesquisa apontaria os dengosos como patrocinadores de qualquer tipo de mensalão. Isto é coisa para artistas, ou como disse o Ex presidente Lula, coisa de aloprados.
Dito estas linhas, quem sabe algum sábio chinês possa iluminar as cabeças dos sábios marketeiros destas campanhas, que banquete tão farto quanto o mensalão não aparece todos os dias. Ainda mais com condenações pelo STF de praticamente todos os envolvidos que foram denunciados pelo Ministério Público Federal.
Saravá, ministros do STF.
A bênção, STF.
Se Vinicius de Morais estivesse vivo, poderia cantar.