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O perigo mora ao lado

De José Luiz Boromelo:
As estatísticas das autoridades de saúde apontam um crescimento vertiginoso nos casos de dengue em todas as regiões do país, mostrando que as medidas preventivas não estão surtindo o efeito desejado. É imprescindível o comprometimento de cada morador, no sentido de evitar que o mosquito consiga renovar seu ciclo de vida. E o resultado aí está: leitos de hospitais ocupados por pacientes com sintomas do mal do século, considerada uma epidemia sem precedentes. As consequências da omissão e do descaso são desastrosas para o país. O tempo de internação e convalescência é considerado de curto prazo, mas nos casos de infecção por vírus do tipo 4 o risco de morte do paciente é considerável. A resistência em participar de campanhas contra a proliferação da dengue é inexplicável, mesmo reconhecendo a índole displicente do brasileiro. Mutirões de limpeza são organizados com a identificação, destruição de focos, recolhimento de entulhos e materiais dos mais diversos.
O combate ao mosquito transmissor da dengue foi prejudicado nos dois primeiros meses do ano pelas elevadas precipitações pluviométricas, que atingiram recordes históricos em todo o país. A coincidência de fatores de risco com o período de férias escolares (em que famílias permanecem por dias viajando) contribuiu para elevar os índices da doença. Porém, de nada adianta seguir as recomendações dos órgãos oficiais se o perigo mora logo ao lado. Nosso vizinho não se preocupa com sua própria saúde, quanto mais com a do seu semelhante. Há que se encontrar uma fórmula eficaz para a penalização do negligente, além das medidas pecuniárias.
Uma interessante alternativa a ser viabilizada em regime de urgência seria a veiculação incisiva de campanhas publicitárias relacionadas ao tema. Num país em que os comerciais de bebidas alcoólicas, automóveis, cosméticos, redes de varejo e uma infinidade de segmentos ultrapassam cifras de alguns milhões de reais, o investimento em prevenção seria uma iniciativa inteligente, além de necessária. Profissionais especializados da área não faltam. Então, que os governantes façam o que estiver ao seu alcance para reduzir a incidência de novos casos de dengue. E se o vizinho do lado não se mostrar disposto a colaborar, denuncie. Exerça seus direitos de cidadão. A luta é pelo nosso maior patrimônio, que tem um valor inestimável: a saúde.
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(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista.

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