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Lei Rouanet: Museu da Família é aprovado


A segunda etapa do projeto Museu da Família, do Instituto Memória e Vida, foi aprovado na última quinta-feira pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, responsável pela análise das iniciativas inscritas na Lei Rouanet. A partir de agora, o IMV está autorizado a captar R$ 8.215.546,00 para viabilizar a digitalização de 10 milhões de documentos de mais de 100 mil famílias moradoras dos municípios do norte e noroeste paranaense, apresentado como o projeto de preservação da memória social de que se tem notícia no Paraná.

O objetivo principal é preservar as histórias das famílias atendidas e, assim, preservar a história das comunidades e, consequentemente, do Estado. O IMV também pretende fortalecer ações de preservação de memória, oferecendo o suporte tecnológico necessário aos pequenos municípios atendidos. O resultado será um museu virtual, que poderá ser acessado por meio do site www.museudafamilia.org.br. A expectativa é colocar o site no ar ainda essa semana explicando a proposta. O próximo passo é iniciar o cadastramento de famílias.

Além da digitalização de documentos, estão previstas a captura de depoimentos em vídeo de três mil pioneiros (matriarcas e patriarcas das famílias atendidas) e a realização de 50 exposições em pequenos municípios. Outras cinco exposições de médio porte em Maringá e três em Londrina. Também será oferecida orientação técnica para a guarda e preservação dos documentos originais, por meio de material impresso e filmes disponibilizados no site do Museu.

Todo o material digitalizado ou produzido será indexado a um Banco de Dados que poderá ser acessado pelas famílias por meio de logins e senhas individuais. Este Banco de Dados terá a capacidade inicial de armazenamento de 25 milhões de imagens e permitirá que as próprias famílias gerenciem e organizem suas fotos e documentos digitais ou digitalizados pelo projeto. A ferramenta de indexação também permitirá a utilização das redes sociais, vinculando ao banco de dados os comentários das fotos e das informações postadas nas redes sociais.

Para maior segurança, o acervo será guardado em meio físico (HDs e DVDs), ficando disponível uma versão em baixa resolução para o acesso das famílias e pesquisadores. Somente os documentos classificados como públicos pelas famílias ou postados em redes sociais poderão ser disponibilizados pelo projeto para divulgação. Vale ressaltar que a inscrição no projeto não transfere os direitos de imagem. Todas as fotos e documentos continuarão pertencendo ao detentor do documento original.

A reunião dos acervos de diversas famílias comporá uma linha cronológica de acontecimentos e fatos sociais daquela comunidade, bairro ou cidade, valorizando as relações familiares e de vizinhança, por meio da identificação de vínculos e graus de parentescos. Além disso, acredita-se que seja possível reafirmar a importância de trajetórias individuais e fortalecer a cidadania. O projeto estimulará que as famílias compartilhem fotos que retratem hábitos e costumes de época e que retratem espaços públicos.

A proposta é visitar os 211 municípios do norte e noroeste paranaense. Para o apoio logístico das ações itinerantes será construída uma estrutura móvel, montada a partir de um conjunto carreta/container, que ocupará uma área de 100 m2, abrigando estruturas de digitalização, indexação e estúdio para gravação de depoimentos. Essa estrutura será constituída de dois containers de 20 pés, mais uma estrutura de rampas e plataformas para o atendimento ao público. Os depoimentos serão gravados na estrutura itinerante e em dois estúdios que serão montados nas cidades de Maringá e Londrina.

O projeto tem um custo anual de R$ 100,00 por família, dividido em duas parcelas que podem ser pagas por meio de dedução fiscal.
Empresas interessadas em patrocinar podem assumir os custos de preservação das histórias familiares de uma localidade, município, ou bairro, patrocinando deduzindo 100% dos valores patrocinados até o limite de 4% do IR devido. As prefeituras podem apoiar o Museu da Família institucionalmente, garantindo as condições de apoio local para a digitalização destes documentos em cada município ou distrito. As famílias integrantes da ação também poderão doar até 6% do IR devido de seus contribuintes.

Será oferecido para as prefeituras o serviço de digitalização de documentos, priorizando sempre os municípios com menos de 30 mil habitantes, que totalizam um universo de 191 municípios no projeto, com uma população de 1.580.647 habitantes (IBGE).

O Instituto Memória e Vida – IMV – é uma iniciativa de um grupo de professores da mesma família que, atuando nas redes públicas e privadas de ensino fundamental e médio nas cidades de Jussara, Marialva, Maringá, Paiçandu e Cianorte, percebeu a necessidade de atualizar os métodos de aprendizagem em suas comunidades escolares, tornando-os mais contemporâneas, utilizando-se de museus e centros de ciências para melhoria da formação de seus alunos e para construção de uma cidadania mais participativa.

Em 2009 iniciaram a constituição do primeiro museu de memória da região, destacando-se como um museu da comunidade rural da cidade de Jussara – PR. Dois anos depois este esforço resultou na criação do Museu da Família, um museu virtual que buscava atender a necessidade de preservação da história do município de Jussara. Em 2012 a iniciativa foi estendida para mais 10 municípios. Desde então, vem proporcionando a articulação dos diversos agentes sociais na direção da preservação das memórias familiares por meio do incentivo à conservação e da divulgação de documentos que retratassem as histórias dessas coletividades.

A primeira etapa do projeto foi integralmente patrocinada pela Usina Santa Terezinha, por meio da Lei Rouanet, no valor total de R$ 419.786,87.

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