De José Luiz Boromelo:
O gargalo da logística no país tem causa conhecida. Privilegiou-se o transporte rodoviário em detrimento de meios mais seguros e baratos, como ferrovias e hidrovias. O Brasil caminha na contramão da tendência mundial, estimulando o transporte por via terrestre. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, 55% da soja produzida no Brasil é movimentada em caminhões; 35% por ferrovias e apenas 10% por hidrovias. Alguns fatores contribuíram para o agravamento da situação atual. As montadoras de caminhões passaram a produzir veículos mais modernos, econômicos e potentes, com maior capacidade de carga. Em sintonia com a demanda por crédito os agentes financeiros destinaram vultosos recursos direcionados ao segmento dos transportes. Apesar dos resultados expressivos na comercialização de veículos de carga, a frota brasileira que ultrapassa 1,43 milhões de caminhões é antiga e obsoleta (com uma média de nove anos), enquanto que as rodovias não oferecem condições ideais para a circulação segura de veículos, mesmo em trechos pedagiados (e suas tarifas extorsivas). O resultado não poderia ser outro: o excesso de caminhões causa transtornos imensos, congestionando vias, provocando acidentes e diminuindo consideravelmente a vida útil da malha viária.
A situação das principais rodovias brasileiras é um capítulo à parte. Em todos os estados existem problemas graves e praticamente insolúveis. Algumas rodovias federais e estaduais estão em péssimo estado de conservação. Em sua grande maioria não possuem acostamentos, terceiras faixas, sinalização adequada e apresentam uma série de outras irregularidades que colocam em risco a segurança dos usuários. As causas da deterioração das rodovias têm motivos diferentes e conhecidos, mas de difícil solução: a base do pavimento mal elaborada, a baixa qualidade do material empregado, o excesso de peso dos veículos e principalmente a falta de manutenção. Pelo mundo afora as rodovias têm uma durabilidade mínima de 20 anos ou mais. Enquanto nossos governantes persistirem na construção de rodovias do tipo “casca de ovo”, a situação dificilmente se reverterá.
Paralelamente aos investimentos na malha viária, o setor portuário carece de aportes consistentes e duradouros. Os equipamentos de carregamento dos portos são antigos e ultrapassados, com suas atividades interrompidas em épocas chuvosas. As autoridades da área de infraestrutura têm a responsabilidade em mudar a situação atual, sob o risco de o Brasil manter-se à margem dos países emergentes. Somente com um trabalho sério em prol da modernidade e do desenvolvimento poder-se-á um dia, mudar para melhor as perspectivas do futuro. Que definitivamente, não viajam sobre rodas.
__________
(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista.