Ícone do site Angelo Rigon

O papagaio de seu Valter

Cezar Lima/Jornal de Marialva:
Há um ano e quatro meses, depois de amputar parte de minha perna esquerda e estar em cadeira de rodas, minha diarista Emília chegou com uma boa notícia e falou-me: “Seu Valter Colombari quer saber se você quer um papagaio de presente”. Aceitei na hora e pedi ao amigo Pedro Toneto para ir buscá-lo, e o louro chegou e alegrou a minha vida. Logo pensei: vou ter um companheiro com quem conversar!, mas o louro nunca falou uma só palavra, só resmungava; mas assoviava várias horas durante o dia, muitas vezes, quase que o dia inteiro. Na última sexta-feira o louro emudeceu o seu canto, não ouvi nem piar e hoje, sábado, até agora, quase 13 horas, de sua garganta, não saiu nenhum som e ele, tão alegre e agitado, está triste, muito triste, como nunca antes o vi, mas aí recebo a notícia: seu Valter Colombari, morreu dia 26 a noite e foi enterrado dia 27. Numa dessas coisas místicas da vida, entendi o silêncio do Louro… de alguma forma que a ciência não explica, o antigo papagaio de seu Valter, sentiu que ele aqui na boa terra de Marialva, deixou o seu corpo e subiu para Deus. Sei, o Louro, o papagaio de seu Valter, acompanhou a tristeza de dona Rosa e dos seus filhos Eder, Eraldo e Edmilson. Daqui uns dias, tão especial papagaio, voltará com sua felicidade de assoviar as melodias que seu Valter, lhe ensinou, uma delas o cantar do “Nhambu Chororó” e outras melodias que só seu Valter e o papagaio sabem o significado. De certa forma, estou triste também, pois já não terei das mãos de seu Valter os “limões rosa”, plantados ao lado de sua casa e que ele, tão gentilmente, apanhava e me dava, com o maior carinho. Infelizmente, “a morte, faz parte da vida” e por este motivo, o papagaio de seu Valter, – com alma e sentimento, emudeceu.

Sair da versão mobile