De José Luiz Boromelo:
A debandada de parlamentares para as novas legendas prejudica os partidos tradicionalmente estabilizados e dificulta sobremaneira a governabilidade. Da forma como foram originadas, as novas agremiações não favorecem a consolidação da democracia, apenas engrossam a lista de partidos inconfiáveis e sem densidade eleitoral. A representação popular corre o risco de ser pulverizada num universo de eleitores indecisos diante de agrupamentos insossos e siglas artificiais, dos quais não se vislumbra absolutamente nada de produtivo para a nação. Quantidade nunca foi e nunca será sinônimo de qualidade e o adágio popular se aplica perfeitamente nesse caso. Estamos diante de uma perversa tendência política, estimulada pela anuência e a chancela oficial da instância maior desse país. Os donatários da atualidade ensaiam introduzir no país um modelo semelhante a capitanias hereditárias particulares, demarcando politicamente suas áreas de atuação utilizando o eleitor como mero instrumento para a consecução de seus propósitos, turbinados com recursos públicos.
A sociedade deve estar atenta a esse movimento alimentado por interesses escusos. O povo está cansado de promessas e da longa espera por medidas que nunca são efetivadas. Também não quer saber dessa invasão desordenada de siglas esquisitas e coligações que superam os limites do ponderável. O cidadão exige o devido respeito aos direitos elementares garantidos pela Constituição como educação de qualidade, atendimento digno na área de saúde e mais segurança para as famílias, em sintonia com investimentos consistentes e duradouros para a geração de emprego e renda. Se nossos representantes errantes insistirem nessa prática explicitamente mercadológica, certamente serão responsabilizados por seus atos num futuro próximo. A população se encarregará de responder à altura. De forma ordeira e democrática, como seria de se esperar. Ou não.
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(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista.