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Época de reflexão

De José Luiz Boromelo:
​As festas de final de ano se aproximam e as pessoas procuram fazer suas compras na agitação do comércio, fato comum nessa época. As vitrines são decoradas com motivos natalinos e a figura principal exibe a tradicional opulência abdominal vestindo gorro vermelho, luvas e botas, indumentária nada condizente com o clima tropical predominante no país. As crianças (e os adultos) se encantam com o velhinho de barbas brancas a distribuir guloseimas e abraços, acompanhado de sua indefectível e insossa gargalhada. Aí está, segundo os aficionados pela extravagante figura, a expressão da inocência e da felicidade. Pelo menos essa é a imagem que tentam incutir naqueles deslumbrados, que hipnotizados pelas luzes multicoloridas e pelo clima artificialmente festivo acabam subjugados ao apelo consumista ininterrupto, que determina comportamentos e estimula o endividamento familiar.

​O verdadeiro homenageado acaba esquecido em meio a mesas fartas, aos excessos de todo tipo, ao superficialismo contagiante, às ostentações de poderio econômico e às intermináveis demonstrações de desprezo e indiferença perante nosso semelhante. Os tempos são outros e as pessoas acabaram incorporando excentricidades em seu cotidiano, privilegiando as novidades tecnológicas em detrimento da harmonia familiar, que promove o crescimento pessoal e a interação positiva. Acabamos deixando de lado os costumes seculares da confraternização, da alegria proporcionada pela reunião de diferentes gerações e permitimos o isolamento entediante e monótono, causador dos mais diferentes males que afetam o corpo e a mente. Esquecemos completamente o espírito da festa que se aproxima e cultuamos futilidades momentâneas, que se esfacelam diante da mais leve brisa. A conjugação dos verbos prioriza a invólucro em detrimento do conteúdo em que o “ter” precede o “ser”, na mais perfeita acepção da palavra.

​Natal é tempo de reflexão. Oportunidade para redirecionar posicionamentos, se necessário for. De rever conceitos, de espalhar o otimismo, de oferecer e aceitar o perdão. Natal é época para o cristão reafirmar sua missão nessa vida terrena, assim como aquele esquecido aniversariante. Que apesar de todas as provações e humilhações demonstrou sua inabalável fé entregando a própria vida para a salvação da humanidade. O rabino que curou as chagas dos enfermos, que expulsou os vendilhões do templo, que levou incansavelmente a palavra divina aos povos e que amava a todos indistintamente, hoje clama pela nossa atenção. O menino judeu nascido na simplicidade de uma estrebaria só quer um lugar em nosso coração, apesar de tantos compromissos assumidos nesse final de ano. ELE só precisa que o deixemos entrar, que o aceitemos plenamente. Espera ainda que levemos um pouco de alento àqueles que tanto necessitam. Seja através de uma palavra amiga, de um abraço sincero ou de um sábio conselho.

​Que nesse Natal possamos renovar os sentimentos do amor, do respeito, da conciliação. Que façamos de nossa vida um exemplo de fé, de perseverança e de perdão. Que possamos reconhecer em nosso semelhante o semblante daquele que um dia carregou em seus ombros o peso do cruel madeiro, simbolizando todos os nossos pecados. Natal é época de renascimento, de um novo tempo em nossas vidas. Saudemos com alegria a chegada do rebento. E que o Menino Jesus encontre seu lugar no coração de cada um. Feliz Natal!

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