Comer Friboi? Maravilha. Lamentável foi Roberto Carlos bajular carniceiro


De Mário Magalhães:
Much ado about nothing, talvez dissesse o velho Shakespeare. Eu digo, de fato, muito barulho por nada. Se o Roberto Carlos é carnívoro, vegetariano, vegano, herbívoro… não estou nem aí. E que ele ganhe seu dinheirinho como bem entender, anunciando a carne da Friboi, cogumelos, aspargos ou pêssegos. Direito dele. Bem como é seu direito expor intimidades, tipo o que come ou deixa de comer (o problema é a alma obscurantista, censurando biografias).
Lamentável é um país se debruçar sobre o gosto do rei pela carne vermelha e praticamente apagar da história sua condição de bajulador de um emérito carniceiro do século XX, o ditador chileno Augusto Pinochet.

Em 1975, quando o general e seus asseclas torturavam, matavam e sumiam com os corpos de moças e rapazes, muitos dos quais adoravam as canções do Roberto, o cantante brasileiro foi ao festival de Viña del Mar, transformado em evento de promoção do tirano local.
No palco, Roberto disse que a presença do açougueiro Pinochet era um orgulho, como se vê e ouve clicando no vídeo acima.
Gostar de carne? Eu também gosto.
Promover carniceiro? Uma vergonha no currículo de Roberto Carlos.
Será que ele vai contar essa passagem no livro de memórias que promete lançar?

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.