De Fúlvio B. G. de Castro:
Em 1955 Juscelino Kubitschek é eleito presidente.
1960 Jânio Quadros é eleito e governa somente sete meses e renúncia. A Constituição dizia que o vice-presidente deveria assumir o cargo de presidente da República se o titular não pudesse exercer a função. João Goulart, o Jango, estava na China, e no lugar dele assumiu o presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli. Muitos militares eram contra a posse de Jango, pois acreditavam que ele era uma ameaça ao país por seus vínculos políticos com o comunismo. Através da campanha da legalidade liderada pelo governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, que era cunhado de Jango, ele consegue assumir sob o sistema parlamentarista tendo Tancredo Neves como primeiro-ministro. Em 1963, é realizado um plebiscito para a escolha entre parlamentarismo e presidencialismo. O presidencialismo vence, e a chefia do governo é devolvida a Jango.
1964 para ser mais exato dia primeiro de abril o Golpe militar e governam até 1985. Vale lembrar que 13 de dezembro de 1968 temos o AI-05 Ato Institucional Número 05 que caça direitos civis e políticos dos cidadãos.
1985 Tancredo Neves é eleito pelo colégio eleitoral sem voto popular para presidente da república. Não assume morre, seu vice José Sarney assume.
Primeira eleição democrática e direta para presidente da república 1989 eleito Fernando Collor de Melo. Sofre o processo de Impeachment. O processo, antes de aprovado, fez com que o presidente renunciasse ao cargo em 29 de dezembro de 1992, deixando-o para seu vice Itamar Franco.
Fernando Henrique Cardoso em 1994 é eleito presidente da república e reeleito em 1998.
2002 o sindicalista, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente, e governa até 2010 é substituído por sua Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff primeira mulher Presidenta do Brasil depois de 80 anos que o direito ao voto foi conquistado pelas mulheres.
Bom esse breve histórico foi para tentar responder alguma indagações feitas por amigos, alunos e mostrar como nossa democracia é juvenil, creio que com as manifestações que estamos assistindo recentemente a população brasileira está realmente aprendendo a lhe dar com a democracia. E o exercício político é realmente esse. Até para entendermos melhor a política, é aconselhável verificar o significado etimológico dessa palavra. Política é uma palavra grega que significa “a arte de viver na polis”. Assim, política pode ser interpretada como uma atuação dos seres humanos no sentido de dirigir ou governar a sua cidade, isto é, o bem público. Mas governar a cidade não significa atribuir esse compromisso a alguns poucos, e sim à participação de todos nesse processo. Isso está relacionado com o princípio de cidadania, ou seja, o morador (cidadão) participa das decisões tomadas para o funcionamento da cidade. Há outros dois conceitos que aparecem relacionados à participação do cidadão na gestão de sua cidade: a isonomia (igualdade de todos perante a lei) e a isegoria (direito de expor suas opiniões sobre aquilo que acredita ser benéfico para a cidade).
Então quando ouço falar de “curral eleitoral” por conta dos programas de transferência de renda (bolsa escola, bolsa família ou coisa que o valia) me sobe um frio na espinha. Pelo simples fato do desconhecimento ou fingir desconhecer a história do próprio país. Por tanto vou enumerar dois elementos:
1 – Os coronéis que usam esse método não pertencem aos partidos democráticos do Brasil, como por exemplo, PC do B, PSTU, PSoL, PCB, PT e outros de esquerda;
2 – Nenhum e digo nenhum desses partidos são herdeiros da velha política latifundiária da UDN que criou os “currais eleitorais” como no caso dos partidos: PP, PTB, PSDB e por fim atualmente, a herança política da UDN mais forte é representada, no plano ideológico, pelo DEM (que já se chamou Arena, depois PDS e PFL) em cujos quadros fundadores encontraram-se tanto netos de antigos udenistas como figuras como o já falecido Antônio Carlos Magalhães, que já integrou a antiga UDN.
Esses elementos são somente para exemplificar como alguns discursos tentam mostrar uma realidade que não existe!
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(*) Fúlvio B. G. de Castro é professor de Sociologia em Maringá