De José Luiz Boromelo:
Recentemente a administração municipal maringaense iniciou as obras de retirada do estacionamento no canteiro central da mais importante avenida da cidade. Conhecido como “espinhas de peixe”, esse sistema caracterizado pelo número considerável de vagas foi por muito tempo um importante aliado do comércio ali instalado. A polêmica decisão afetou diretamente os negócios uma vez que o consumidor não consegue encontrar vagas disponíveis na área central no horário comercial, dando preferência a outros locais em que existam tais disponibilidades. Há riscos de demissão de funcionários e casos de encerramento das atividades, supostamente prejudicadas pela medida governamental. Protestos foram organizados com o intuito de chamar a atenção para a situação atual, classificada pelos comerciantes como delicada e insustentável. Placas de anúncios de imóveis para locação proliferam-se dia a dia e a sensação é de evidente desaquecimento no comércio por conta da dificuldade de acessibilidade do cliente.
Essa é apenas uma das faces de um complicado quebra-cabeça. A implantação do sistema binário trouxe melhorias significativas para o trânsito na Cidade Canção, provocando uma mudança de comportamento do usuário. Há que se reconhecer os benefícios obtidos com essa iniciativa, que proporcionou acima de tudo agilidade nos deslocamentos. Uma medida dessa amplitude demanda certo período de tempo para adaptações, porém os resultados são altamente satisfatórios. Não obstante os prejuízos dos comerciantes atribuídos às adequações na via, não há como negar os benefícios futuros para o município e cidades vizinhas, uma vez que o comércio maringaense é prestigiado também por consumidores da região metropolitana. Conforme a secretaria municipal responsável pelas obras será viabilizada uma ciclovia como mais uma opção de mobilidade ao cidadão. Nas grandes cidades europeias o estímulo ao uso da bicicleta se mostrou uma das formas mais eficientes para a redução dos níveis de poluição atmosférica, preservando a capacidade plena de utilização das vias públicas.
É inegável que o processo de implantação de mudanças se tornou irreversível. Não há como conciliar modernidade com a manutenção de conceitos defasados. A realidade atual do sistema viário urge por novas possibilidades, que venham a colaborar de forma efetiva na fluidez e na agilidade do trânsito. Portanto, faz-se necessário a implementação de outras obras de mobilidade urbana para que o conjunto venha a operar harmonicamente. É o ônus da modernidade atingindo a todos e a colaboração de cada um é imprescindível. Uma oportunidade para mostrar criatividade diante de novos desafios.
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(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronistaa