De José Luiz Boromelo:
Em seus pronunciamentos nossa representante maior faz questão de ressaltar que incluiu no “pacote de bondades” presidencial uma atualização em 10% nos valores do programa social Bolsa Família, única fonte de renda das “brasileiras e brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza”. A presidenta garante ainda que a inflação está “sob controle” e o governo combate incessantemente a corrupção. Essa afirmação soa como uma metáfora diante das notícias diárias de aumento de preços em todos os setores. No caso do combate à corrupção tudo indica que os mecanismos empregados se mostraram totalmente ineficientes até então, pois os escândalos envolvendo funcionários públicos são divulgados com uma freqüência desalentadora.
Nota-se que a presidenta nutre simpatia por pactos de todo tipo. Talvez imagine ela que tudo se resolverá através de acordos com a sociedade. Agora o Brasil avança rumo ao futuro, pois teremos o “pacto pela educação”, “pacto pela saúde”, “pacto pela mobilidade urbana” e “pacto da reforma política”. Não será por falta de dispositivos que continuaremos a marcar passo no mesmo lugar, apesar de toda a riqueza produzida no País. E para mostrar que se interessa pelos problemas que afligem a população, conclama os brasileiros a debaterem sobre assuntos de interesse coletivo, como se isso tivesse realmente alguma influência no desempenho da economia. Nessa miscelânea de assuntos está explícita a forma tipicamente eleitoreira que escolheu para dirigir-se à nação, assim como a campanha publicitária de tremendo mau gosto patrocinada por seu partido, mostrando uma população amedrontada ante a “ameaça iminente” da oposição. Sua Excelência ignora completamente a necessidade imperativa de separação das prerrogativas concedidas ao ocupante da Presidência da República com a do pré-candidato no exercício do mandato. Sinal de que a divulgação das pesquisas de intenção de voto acendeu o sinal amarelo no governo. A oposição reclama da campanha antecipada e promete reagir. Fica a expectativa pelos próximos capítulos.
(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista.