De José Luiz Boromelo:
As estatísticas dos acidentes de trânsito no País mostram a real situação desse grave problema social, aparentemente sem solução em curto e médio prazo. Mesmo identificando a falha humana como causa da quase totalidade dos acidentes, não se vislumbra por parte dos condutores um comportamento defensivo (ou pelo menos prudente) na direção do veículo automotor, uma vez que os números não mentem. De acordo com dados do Instituto Avante Brasil (IAB), entidade que acompanha e mapeia os índices de violência no Brasil a previsão é de que em 2014 ocorram mais de 48.000 mortes no trânsito, ou seja, uma a cada 10 minutos. É uma guerra não declarada, agravada pelo aumento diário da frota circulante e pela inserção contínua de condutores recém-habilitados, ainda sem a experiência necessária para enfrentar nosso trânsito caótico e perigoso. O fato chamou a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificaram os acidentes de trânsito como uma pandemia, que se não for combatida de forma séria nos próximos 20 anos se tornará a principal causa de mortes em todo o planeta.
Os efeitos de uma tragédia motorizada transcendem os momentos de dor que afligem familiares e amigos. A realidade é bem mais assustadora do que aparenta já que os dados das ocorrências incluem vítimas fatais no local do acidente, não sendo contabilizadas aquelas que venham a óbito posteriormente, dias ou meses após a hospitalização. Isso reforça a constatação de que aproximadamente 60% dos leitos hospitalares são ocupados por vítimas do trânsito e se essa variável for considerada, teremos números ainda mais preocupantes. Diante da situação, é imperativo que as autoridades constituídas promovam medidas efetivas e permanentes para a redução do número de acidentes em nossas vias públicas. As campanhas educativas levadas ao público anualmente (como a Semana Nacional do Trânsito) haveriam de ter sua periodicidade reduzida e seu foco voltado especificamente à conscientização (e conseqüente penalização) do condutor infrator. O tema mostra-se complexo no momento em que envolve diversos contextos como social, econômico, cultural e educacional, este último com influência direta nas estatísticas.
Apesar dos rigores de nossa legislação de trânsito, o motorista continua displicente e imprudente quando se posiciona atrás de um volante. Seria imprescindível o acatamento incondicional às regras de circulação, única maneira de se mudar o cenário atual. O respeito ao próximo haveria de ser incutido diariamente naquele que tem em suas mãos a responsabilidade de preservar vidas. Assim as publicações do DETRAN trariam outros assuntos de interesse público. Infelizmente, tudo indica que o alerta oficial terá o efeito de palavras ao vento.
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(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista.