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A amarga derrota do time sem torcida

De Rodrigo Contessotto:
O bom menino David Luiz, filho de professores e que é gente como a gente, declarou aos prantos que só queria dar “alegria ao povo brasileiro”. Entendo sua intenção sincera, David, mas fique tranquilo. Não era o povo brasileiro que estava presente nas arenas Fifa. Eram espectadores, não torcedores de futebol. Pessoas que tiravam selfies e davam risada quando viam suas imagens exibidas nos telões, mesmo com o placar mostrando a acachapante goleada. Não preciso nem dizer qual seria minha reação caso fosse flagrado pela tv em caso de revés do Palmeiras.
Fique de boa, David. Essa gente provavelmente nunca mais vai pisar em um estádio de futebol. Não merece suas lágrimas. Vão continuar vivendo alegremente com suas posses e desprezando as políticas sociais que favorecem o verdadeiro povo brasileiro, que não teve acesso às arenas.
A “Copa das Copas”, esportivamente falando, é sensacional. Média de gols altíssima e jogos épicos. A organização pode não ter sido perfeita mas deu conta do recado, apesar dos mensageiros do caos. O ponto negativo foram esses pseudotorcedores cantando “sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Nada mais hipócrita para quem vaia o seu time no primeiro passe errado, sonha viver em Miami, não suporta ver o porteiro viajando de avião e sonega impostos.
O canto da torcida do México ecoado durante o empate em Fortaleza resume bem o meu raciocínio: “brasileiro, brasileiro, quero te perguntar, o que você sente sendo visita, quando joga de local!”.
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(*) Rodrigo Contessotto, professor de História e Educação Física

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