Veja a história que ele conta aqui: José Sarney deixou a presidência da República e foi para a Ilha do Curupu, no Maranhão. Em abril de 1990, Sarney voltou a São Luís para comemorar seu aniversário de 60 anos. Os amigos Saulo Ramos, Antonio Carlos Magalhães, Roberto Marinho pediram que Sarney retornasse à política. O sonho de se dedicar exclusivamente a literatura foi adiado. O primeiro entrave ao retorno estava dentro do próprio PMDB, que negou legenda a Sarney para concorrer ao Senado pelo Maranhão. Sarney foi sondado a mudar de partido, recebeu convite do PFL, mas decidiu se candidatar pelo Amapá. O ex-território fora elevado à condição de Estado pela Constituição de 1988. Transferiu o título de eleitor para Macapá, habilitando-se a disputar uma das três vagas de senador pelo novo Estado. “Percebi que era preciso voltar. A situação no Maranhão já tinha degringolado e a nacional também merecia atenção. Além disso, eu havia criado um círculo de amigos na presidência que ficaram órfãos. Como o Amapá pertencera ao Maranhão, eu não me senti um estranho lá. (…)” No primeiro dia no novo endereço, em Macapá, Marly e Sarney, sem conhecer ninguém, ficaram em casa: “Foi uma noite difícil, mas, quando abrimos a porta pela manhã, havia umas cem mulheres com os filhos nos braços dizendo: ‘Queremos ver o presidente Sarney’, e lembrando o Programa do Leite. Aquela gente pobre, paupérrima, estava ali para me abençoar. Decidi fazer caminhadas pela cidade, e aí vinham multidões para me ver. Assim começou a saga do Amapá.” Sarney decidiu concorrer a um cargo político pelo Amapá. Foi eleito senador. Sarney foi reeleito pelo Amapá mais duas vezes, em 1998 e 2006. Meu comentário (Akino): Pelo menos no primeiro momento Sarney fixou residência no Amapá, justificando a transferência do domicílio eleitoral, logo não fraudou. Depois, não manteve vínculos como devia, o que nos parece ilegal. Diferente de quem mora em Maringá e transfere, simplesmente, o título para Curitiba. Assim não pode. Há casos como o do delegado Jacovós, que era de Sarandi e mantém, pelo menos mantinha até as eleições passadas, o domicílio, e de Osmar Dias que mantém domicílio eleitoral em Maringá, pelos vínculos com a cidade. Aliás, Osmar Dias é um nome a se pensar para quebrar a dinastia Barros. Se eu fosse do PT pensaria no seu nome, caso o de Humberto Henrique não se mostre com força. Humberto poderia ser o vice de Osmar. Akino Maringá, colaborador