De José Luiz Boromelo:
A plena democracia se estabelece como numa via de mão dupla em que a interação recíproca entre as partes se faz presente com seus ônus e suas prerrogativas. Dessa forma, o processo eleitoral é apenas uma das etapas, requerendo o acompanhamento assíduo da população perante as decisões de seus representantes, seja participando ativamente na elaboração de projetos de lei, sugerindo debates de interesse público, apresentando alternativas, idéias, sugestões, enfim, expondo as necessidades e os anseios dos diferentes segmentos da sociedade. Ocorre que a imensa maioria dos políticos desse País parecem se esquecer das responsabilidades para com seus eleitores, uma vez que após as eleições não se consegue encontrar nem o mais popular deles. Com a justificativa de que estão atarefados em comissões internas, atividades nos gabinetes ou votações importantes nos plenários, em viagens ou compromissos nas mais diferentes localidades, conseguem evitar com facilidade o contato com a população. Resta como única alternativa o acesso ao endereço eletrônico oficial de cada parlamentar e os resultados são desalentadores, dando a impressão de que a mensagem enviada vai diretamente para a lixeira.
Não obstante todos esses empecilhos observados no minguado convívio entre eleitores e detentores de cargos eletivos, é de suma importância que cada cidadão participe efetivamente do processo eletivo comparecendo em sua sessão eleitoral, validando seu voto. A prática de anular ou optar pelo voto em branco também não contribui em nada com a democracia, apenas aumenta as chances dos aventureiros (que nada têm a perder) e que jogam com a ignorância e a incredulidade do eleitor para tirar proveito da situação. A desculpa de que todos os políticos atuam movidos por interesses próprios não representa a expressão plena da verdade. Por atitudes e posicionamentos íntegros diante de fatos relevantes seria aceitável supor que uma parcela considerável deles carrega os sentimentos de retidão de caráter, ética e probidade, requisitos indispensáveis para o exercício do cargo. Aqueles que se desviam de sua missão precípua e enveredam pelos caminhos da corrupção devem ser identificados e responsabilizados na forma da lei, como já ocorreu num passado recente.
Ainda há tempo suficiente para o eleitor avaliar com tranqüilidade as candidaturas apresentadas. Se o escolhido vai cumprir ou não com suas promessas de campanha é outra história. O que importa é a consciência tranqüila daqueles que cumpriram com sua missão cívica, destinando sabiamente sua opção. Uma nação forte e progressista se faz com o comprometimento de todos, voltados para os mesmos objetivos. Então, vote certo, vote consciente. A democracia agradece.
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(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista.