‘Rouba, mas faz’
Em dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, a jornalista Luiza Cristina Villaméa Cotta aponta que Adhemar de Barros (1901-1969) revelou-se um político empreendedor e realizador de obras monumentais, como o Hospital das Clínicas e a rodovia Anchieta. Manteve essas características ao longo de mais de três décadas de uma trajetória que incluiu três períodos à frente do Executivo paulista, o primeiro como interventor federal nomeado por Getúlio Vargas e os outros dois na condição de governador eleito. A fama de administrador ousado e dinâmico cresceu, no entanto, paralelamente às denúncias de corrupção em seus governos. Essas acusações apontavam para a cobrança de propina e o desvio sistemático de recursos públicos.
Os casos mais rumorosos que protagonizou foram denunciados pelo jornalista Paulo Duarte e reverberados pelo governador Jânio Quadros. Envolviam a suposta apropriação de automóveis comprados pelo governo de São Paulo e o extravio de uma urna marajoara destinada ao Museu Paulista. Apesar da defesa que promoveu nos tribunais e junto à opinião pública, Adhemar jamais conseguiu dissociar sua reputação como empreendedor da pecha de peculatário, fenômeno sintetizado popularmente na frase rouba, mas faz. Tampouco conseguiu atingir sua principal meta: eleger-se presidente da República. Depois de duas tentativas fracassadas, preparava-se para disputar a terceira eleição presidencial quanto foi cassado, em junho de 1966, pelo governo militar que ajudou a chegar ao poder. Vejam aqui.
Meu comentário (Akino): Por incrível que pareça ainda há pessoas que se conformam com o ‘ rouba, mas faz’. Dia desses, conversando uma pessoa sobre em quem votar nas eleições, ouvi a frase. Fico indignado, como diria dona Luíza Pupin. Prefeitos, governadores, presidentes têm obrigação de fazer, sem roubar, nem deixar que roubem. Não podemos nos conformar com a corrupção, roubo, desvio e qualquer esquema, inclusive de nomeação de CCs que não trabalham, por desnecessários, que são uma forma de roubar.
Akino Maringá, colaborador
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