Produtores de 35 cidades conhecem morango semi-hidropônico em Marialva

Cerca de 160 produtores rurais do Paraná, de 35 cidades, estiveram recentemente em Marialva para conhecer o cultivo do morango em substrato (ou semi-hidropônico).
O Dia de Campo foi promovido pela Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, em parceria com o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e a Associação Norte Paranaense de Estudos em Fruticultura (Anpef).
O evento teve o objetivo de evidenciar a diversificação da agricultura de Marialva, reconhecida pela tradicional produção de uvas finas de mesa. Nos últimos anos, segundo confirmação dos institutos agrícolas, o município também ganha destaque com a produção de flores e do morango semi-hidropônico.
O prefeito Edgar Silvestre, o Deca (PSB), ressaltou a importância da parceria com o Emater. “Juntos, buscamos novas alternativas de geração de emprego e renda para os agricultores familiares. Somos a Capital da Uva Fina, mas também somos o município com a maior produção de flores do Estado, um dos pioneiros no cultivo do morango em substrato e, por enquanto, um forte pesquisador do plantio de maracujá”, afirmou.
O secretário municipal de Agricultura, Valdinei Cazelato, o coordenador estadual de fruticultura, extensionista Elcio Rampazzo, e o extensionista da unidade do Instituto em Marialva, Nilson Bernabé, acompanharam o evento. O técnico da empresa Boiagro do município de Araucária, Robson Costa, e a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Aparecida Zawadnead, também palestraram sobre a prática.
A técnica de semi-hidroponia tem conquistado pequenos produtores paranaenses em razão dos índices de qualidade e produtividade. No caso do morango, produzido em ambiente protegido (estufa), o plantio é realizado em sacolas plásticas de formato travesseiro – também conhecidas como SLAB.
De acordo o Emater, vários substratos podem ser utilizados para a produção. O material deve proporcionar boa drenagem, estar isento de pragas, doenças e de sementes de ervas daninhas. Em geral, são recomendados a casca de arroz carbonizada e o composto orgânico, na proporção 1:1 (um por um).
Entre as vantagens da produção semi-hidropônica, estão a ergonomia (bancadas elevadas), a redução de perdas (em função das estufas), o melhor desenvolvimento da planta (com a nutrição fornecida pela irrigação) e a redução na ocorrência de pragas e doenças (manejo sem uso de agrotóxicos). A durabilidade do cultivo também é aprimorada, uma vez que a mesma muda e os mesmos recipiente e substrato são utilizados por mais de um ano.
“Neste sistema, o morango é ideal para a agricultura familiar. A atividade aproveita pequenas áreas, possibilita o retorno do investimento em um curto espaço de tempo, proporciona boa rentabilidade e, ainda, aproveita a mão de obra da família rural”, destacou o extensionista do Emater, Nilson Bernabé.
Atualmente, 21 produtores trabalham com este tipo de plantio em Marialva. Destes, cinco estão em processo de certificação para a produção orgânica, mas todos já são orientados a manejar suas lavouras sem o uso de agrotóxicos. Os tratamentos fitossanitários são realizados com produtos biológicos ou produtos alternativos, comumente utilizados na agricultura orgânica.
O Dia de Campo, realizado em uma propriedade da Estrada Perobinha, demonstrou quais são os aspectos necessários para desenvolver o cultivo como opção de diversificação rural. Para isso, três palestras foram ministradas dentro da área de produção de morangos. A primeira abordou a estrutura, os materiais e equipamentos para a semi-hidroponia; a segunda tratou das diferentes formas de cultivo e do manejo; e a terceira ensinou, de maneira prática, como identificar pragas e doenças na lavoura, explicando monitoramento e controle.

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