O jogo é bruto

Em março de 2007 o deputado federal Odílio Balbinotti (PMDB) – hoje afastado da política por causa do Alzheimer – deixou de ser ministro da Agricultura por causa de um dossiê, que teria sido distribuído por um poderoso adversário, que incluiu a acusação de forjar documentos para custeio de safra agrícola no Banco do Brasil, prática reprovável, mas, dizem, usual, em processo que, anos depois, não deu em nada.
Desta vez, Ricardo Barros, tesoureiro-geral do PP, deve se tornar ministro da Saúde apesar de ser investigado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, suspeito de corrupção, improbidade, interferência administrativa e tráfico de influência.
O processo tem horas de intercepção telefônica, onde ele aparece dirigindo licitação pública na Prefeitura de Maringá, então comandada pelo irmão mais velho, Silvio Barros II (PP). A licitação, milionária, era na área de propaganda.
Além disso, ele responde a outra ação por improbidade, quando prefeito de Maringá, por ter permitido que os vereadores de sua base aliada, sem lei para tal, dessem descontos de até 98% no IPTU de seus eleitores. A ação arrasta-se indo e vindo de Brasília para Curitiba, por conta de sua condição do foro privilegiado. O valor do dinheiro desviado dos cofres públicos municipais ainda não foi calculado, mas estima-se que foi maior que na gestão Jairo Gianoto.
O parlamentar, que no primeiro mandato na Câmara Federal ficou conhecido por carregar o maior número de processos entre seus pares, também já apareceu nas famosas listas de Furnas e da Odebrecht, que também começam a ser investigadas pela PGR e Polícia Federal.
Uma de suas condenações mais recentes, no STJ, também foi por ter fraudado licitação quando prefeito.
*/ ?>
