A comida dos portugueses

Tiago Rogero, da coluna de Ancelmo Gois, no site de O Globo, citou estudo dos pesquisadores Christian Fausto dos Santos e Julianna Morcelli Oliveros, da Universidade Estadual de Maringá.

‘Hoje delícias da vovó, compotas e conservas já foram necessárias para a sobrevivência dos primeiros portugueses que vieram ao Brasil. É que, imagine: quando a turma chegou, meio que era tudo “mato”. A comida não era o que tinham por lá — os próprios bichos eram diferentes e havia, claro, uma necessidade calórica para sustentar todo o trabalho braçal. Não dava para importar: além de caro, era difícil manter os alimentos conservados na viagem. O que fazer, então?
Segundo “Saborosos, sadios e digestivos: o discurso médico presente no consumo de frutos, conservas e compotas na América portuguesa do século XVI” (“História, Ciências, Saúde — Manguinhos”), estudo recém-concluído de Christian Fausto dos Santos e Julianna Morcelli Oliveros, da Universidade Estadual do Maringá, a solução foi consumir os frutos com… açúcar. Maracujá, araçá, banana, umbu, caju… e por aí vai. Mas não só por causa do sabor. O açúcar ajudava, por exemplo, a conservar as frutas. E tornou possível estocá-las — e até levar para a Terrinha.
Além do mais, os portugueses não conheciam muito bem nossos frutos. Por vezes, partiam um abacaxi verde — e o gosto, convenhamos, não é muito bom. Naquele ambiente, “o desperdício de alimentos era algo impensável”, escreveram os pesquisadores. Por isso, sustentam, o consumo desses doces estava longe de ser “guloseima”, mas, sim, uma “necessidade fisiológica”.
Mas não é que eles passavam o dia inteiro só comendo compota, também. É que, “assim como carnes e farinhas, doces também eram considerados, durante as refeições coloniais, itens primordiais”. Serviam para “selar” o estômago após as refeições”. Leia mais.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.