Forma pejorativa ou afetiva?

Há um amigo que insiste em confundir o significado de duas palavras, pseudônimo e alcunha. Vejamos aqui. Em resumo:

Pseudônimo é palavra de origem grega, pseudonimos (de pseudes=falso e onoma=nome). Normalmente utilizado no meio artístico ou literário para ocultar sua verdadeira identidade e ao mesmo tempo identificar sua personalidade. Com ele, dá-se publicidade a obra literária, artística ou científica. Há casos em que o pseudônimo substituiu ou é utilizado por seu possuidor como legítimo civil.
O mestre Rubens Limongi França (1975: 510) diz: “pseudônimo é o nome, diverso do nome civil, usado por alguém, licitamente, em certa esfera de ação, com o fim de, nessa esfera, projetar uma face especial da própria personalidade”. Cunha Gonçalves (1955: 222) leciona a respeito: “…para se adquirir o direito a um pseudônimo não basta usá-lo uma vez, embora despercebido. É indispensável a sua notoriedade, de sorte a saber-se a verdadeira pessoa que à sombra dele se oculta, ou de modo a formar uma personalidade nova, quer pelo uso prolongado, quer pela forma duradoura, como é, por exemplo, um livro conhecido”.O pseudônimo, assim como o nome verdadeiro, goza da proteção da lei (art. 19 do Código Civil).Não se pode confundir o pseudônimo com o anônimo, que é o desconhecido ou que não traz nome.
Já alcunha (apelido, epíteto, hipocorístico). é a forma pejorativa ou afetiva de identificar uma pessoa. Reynaldo Porchat, em seu estudo intitulado “Da expressão personativa”, conceitua agnome como “adjetivo posposto ao nome de batismo, que exprime uma qualidade característica da pessoa: Napoleão, o grande” (RT 136/505)..É fato comum a designação de pessoas por apelidos criados a partir de elementos do próprio nome (diminutivos ou aumentativos como Zezão, Zezinho, Tonhão), por características de sua personalidade (Fuinha, Fujão, Corisco, Fecha-Tempo, Mala), pela aparência física (Capitão Gancho, Gigante, Montanha, Careca, Alemão, “Zóio de Burca”, Cabeleira, Magrão), por feitos penalmente puníveis (Jack, Pisa Macio, Pezinho de Veludo). Há apelidos que “pegam”, como normalmente se diz. Seus portadores muitas vezes aceitam; n’outras não. Exemplo clássico é o sujeito a quem todos da cidade chamavam de Polenta. Enraivecido, pegou uma arma e foi para a praça central e esbravejou: quem me chamar de Polenta a partir de agora, leva chumbo. Dias depois ele caminhava por ali e ouviu alguém gritar: fubá. E outro exclamou: água. Sem pensar duas vezes sacou sua arma e gritou: mistura, se for macho.
Voltando ao título, penso que uma forma afetiva de considerar Akino Maringá uma alcunha, já que este amigo parece me considerar muito a julgar pelo que disse sobre mim e quando me conheceu: ‘Olá, Akino! Será uma honra conhecê-lo. Estou em campanha pelo Ulisses (hoje, inclusive, farei um pronunciamento contundente na tv)’, e mais: ‘Impecável o texto de hoje sobre o egoísmo político do capo. Ricardo sempre fez política praticando o que chamo de canibalismo político (…) O povo diferencia o fantoche do manipulador. Abraço, e siga em frente!’. Do meu caso, digo eu (Akino), sem problemas dizer que Akino Maringá é uma alcunha, pois o povo sabe distinguir bem o que é manipulação.
Akino Maringá, colaborador