Quem julga quem?

De Nelson Motta, em O Globo:

Teoricamente, quem julga os juízes é o Conselho Nacional de Justiça, mas, na prática, é a única categoria profissional que, em caso de crime provado, venda de sentenças, propinas, tem como punição máxima a aposentadoria com salário integral. É um prêmio, não um castigo. E um dos mais vergonhosos símbolos de injustiça do Judiciário.

É difícil acreditar que cidadãos de bem, que estudam muito e trabalham demais, que têm como escolha e missão aplicar a justiça para todos, não tenham tentado mudar essa regra que prova que o crime compensa no Brasil, para alguns. Em contraponto ao aumento salarial do Judiciário, o CNJ deveria abolir esse prêmio por mau comportamento que depõe contra a corporação.
Não se imagina que um juiz como o futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, concorde com a manutenção desses privilégios vergonhosos sustentados com dinheiro público. Claro que não é só isso, nem são só os juízes.
São vantagens e privilégios que vão se acumulando com a ajuda de parlamentares que transformam em lei os desejos das categorias mais poderosas, entre elas a que talvez os julgará um dia.
Como entender bonificações por triênios, quinquênios, licença-prêmio para funcionários? Então a pessoa é premiada por se manter no emprego (vitalício) durante três ou cinco ou dez anos? Não é obrigação? Leia mais.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.