Suntuosidade de túmulos
Há quem se preocupe com o local onde será sepultado o corpo físico, após a morte, e que em pouco tempo se transformará em restos mortais depositados.
Por restos morais entendamos, segundo os dicionários, resto de um corpo; o que restou de um corpo humano; ossos.
Além disso é costume se colocar epitáfios, um pequeno texto, que resume a trajetória do sepultado. Antigamente mais, agora menos, começava geralmente com o famoso ‘aqui jaz fulano’ que… e há muitos textos curiosos, como um, nos EUA que teria colocado: Aqui Jaz, Fulano, assasinado aos 99 anos por um jovem marido ciumento, mas o mais simples e verdadeiro que conhecemos é do poeta Mário Quintana, que segundo o filósofo Mário Cortella pediu para que escrevessem no seu túmulo: “Eu não estou aqui”.
Será que o local e a suntuosidade ou simplicidade do túmulo e o epitáfio têm importância para quem será e ficará sepultado? Túmulos suntuosos, caros, verdadeiras mansões, previamente planejada ainda em vida, podem significar, penso, que a pessoa imagina que não há nada após a morte, que tudo se acaba no túmulo, daí a preocupação em continuar ostentando para os outros que foi uma pessoa importante. Pura vaidade, que pode ser também da família, que quer homenagear, ou só ostentar mesmo.
E o que acontece no velório e após? Vejamos um texto para refletirmos:
Frederico Figner, que no livro Voltei adotou o pseudônimo de “irmão Jacob”, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, foi diretor da Federação Espírita Brasileira e espírita atuante, prometeu escrever do além tão logo lá chegasse. Quando encarnado, acreditava que a morte era uma mera libertação do espírito e que seguiria para as esferas de julgamento de onde voltaria a reencarnar, caso não se transferisse aos Mundos Felizes. Mas, conforme seu depoimento, o que aconteceu após a sua desencarnação não foi bem assim.
Deixou-nos um alerta. “Não se acreditem quitados com a Lei, atendendo pequeninos deveres de solidariedade humana”.
Quando ainda doente no mundo espiritual, pediu para escrever sobre o
que acontece após morte. Recebeu permissão, mas encontrou dificuldades
fluídicas. Ofendeu-se quando foi impedido de se comunicar.
Irmão Andrade, seu guia espiritual, ajudou na sua desencarnação. Ele
sentiu dois corações batendo. A visão alterava-se. Sentia-se dentro de um
nevoeiro enquanto recebia passes. A consciência examinava acertos e
desacertos da vida, buscando justificativas para atenuar as faltas cometidas.
De repente, viu-se à frente de tudo que idealizou e realizou na vida. As
ideias mais insignificantes e os mínimos atos desfilavam em uma velocidade vertiginosa. Tentou orar, mas não teve coordenação mental. Chorou quando viu o vulto da filha Marta aconselhando-o a descansar.
Durante o transe, amparado por sua filha Marta, tentou falar e se mexer,
mas os músculos não obedeceram. Viu-se em duplicata, com fio prateado
ligando-o ao corpo físico. Precisaria de mais tempo para o desligamento total. Sua capacidade visual melhorou e divisou duas figuras ao lado da filha Marta: Bezerra de Menezes e o irmão Andrade. Tentou cumprimentá-los, mas não conseguiu se erguer. Continuava imantado aos seus objetos pessoais.
Precisava sair daquele ambiente para se equilibrar.
Foi levado para perto do mar para renovar as forças. As dores desapareceram. Descansou. Teve a sensação de haver rejuvenescido e notou que estava com trajes impróprios, na ilusão de encontrar alguém encarnado.
Na volta para casa, vestiu um terno cinza. Uma senhora encarnada que
caminhava em direção a eles passou sem que nada ocorresse de ambos os
lados. Recomposto da surpresa foi informado que estão em dimensões
diferentes. No velório, projeções mentais dos presentes provocam-lhe mal-
estar e angústia. Jacob analisou as dificuldades e as lutas de um “morto” que não se preparou. Os comentários divergentes a seu respeito provocaram-lhe perturbações passageiras. Continuava ligado ao corpo. Bezerra esclareceu que não é possível libertar os encarnados rapidamente, depende da vida mental e dos ideais ligados à vida terrestre.
Melhorou e se aproximou de amigos encarnados, mas não do corpo, conforme orientação recebida. Percebeu entidades menos simpáticas e foi impedido de responder. Decepcionou-se com comentários de amigos encarnados sobre as despesas do enterro. Não conseguiu suportar estes dardos mentais. Leia mais aqui.
E para concluir, digo eu (Akino) pensemos e busquemos mais em ter uma
existência suntuosa de realizações no bem, e menos no túmulo, que pode até não existir. Pessoalmente sou a favor da cremação e que as cinzas sejam despejadas, do alto, numa floresta ou em alto mar, a bordo de uma aeronave, para quem pode pagar, ou algo mais simples para os menos favorecidos (fica a dica de um plano para o Prever). Que sejamos lembrados pelo bem que fizemos. Pela probidade, moralidade, e não por túmulos suntuosos. Não se iludam os que pensam que tudo acaba ali, e que o
cemitério é última morada. Ficam os restos mortais, mas a Alma continua viva e em outra dimensão.
Akino Maringa, colaborador
*/ ?>
