Posto Ipiranga não consegue abastecer a si mesmo de meio litro de bom senso


Por Josias de Souza:
Chamado de Posto Ipiranga, Paulo Guedes ainda não conseguiu abastecer Jair Bolsonaro de conhecimentos básicos sobre economia. Mas assimilou rapidamente um hábito deplorável do chefe. A exemplo do presidente, o ministro da Economia passou a falar dez vezes antes de pensar. Quando a pessoa não pensa no que diz, acaba dizendo o que realmente pensa.
Ao celebrar a mistura de juros baixos com dólar alto como o novo normal da economia brasileira, o ministro soou adequado enquanto se manteve na seara técnica. Realçou, por exemplo, que o câmbio valorizado impulsiona as exportações brasileiras. Tropeçou na língua, porém, ao tentar trocar seu pensamento em miúdos.
“Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada”, ralhou Paulo Guedes. “Pera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita.” O ministro oscilou entre a logorreia, que é a compulsão para falar demais, e a demofobia, que é a aversão ao povo. Coisa decepcionante e inútil. Decepciona porque esperava-se de Paulo Guedes que funcionasse como contraponto sensato aos arroubos de Bolsonaro. É inútil porque as empregadas domésticas que conseguem salvar o emprego ralam duro para encher a geladeira, não para visitar o Mickey Mouse. Leia mais.
*/ ?>
